Mais uma temporada de inverno se encerra em Campos do Jordão, com problemas que se acumulam através dos tempos. O mais perceptível é relacionado ao trânsito de veículos nas modestas ruas e avenidas da cidade.Encontrei entre meus guardados um artigo de agosto de 1999, escrito pelo renomado arquiteto jordanense José Roberto Damas Cintra, que na época era vereador pelo PSDB, presidente do CONSEG e UM dos coordenadores dos estudos para implementação do Plano Diretor Estratégico de Campos do Jordão.

Pedi sua autorização para reproduzi-lo uma vez que são passados 27 anos desde que publicado no jornal Impacto Vale News (fundado em 1979), do saudoso amigo Jair D’Ávila, na edição entre 20 e 27 de agosto de 1999.
Damas Cintra apresentou e abordou observações que continuam céleres e atualíssimas, apesar do assunto remontar pelo menos duas décadas, desde aquela data.Acompanhando o texto a seguir, nada se revestiu de modernidade ou resolveu os problemas da cidade.
O estacionamento rotativo (zona azul), repetidamente prometido pelos administradores para melhorar a experiência de estacionar, não foi implantado. Parar na cidade continua um caos.
As vias alternativas, necessárias para desafogar o transito, não saíram do planejamento e a qualidade do turismo na melhor estância de inverno, fica na dependência de atrativos de gosto duvidoso.
Permissão concedida, transcrevo o artigo tal qual publicado, agradecendo a visão do Damas Cintra.
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MORTE OU VIDA? VIDA OU MORTE?
A cidade é um organismo vivo.
É pouco sensato pensar que o sitio urbano é estático, assim como seus problemas.
Como ser vivo, sua tendência é expandir-se. Nem sempre na mesma proporção do crescimento populacional mundial, mas às vezes sofrendo um inchaço não previsível pelos mais experientes urbanistas.
Como corpo vivente, suas diversas partes são alimentadas por vias que as interligam e que carreiam as pessoas e mercadorias. Como um corpo vivo animal, as vias são as artérias que levam o sangue que oxigena seus órgãos e dá vitalidade e saúde.
Esse mal, quando ocorre nas artérias principais, já comprometidas com o seu estreitamento e agravado também pelo estacionamento desordenado, traz o caos urbano.
O planejamento urbano, mais precisamente *Plano Diretor *deve prever para que não se tenha, ao longo dos anos a prevenção desse mal para que não se tenha que apelar para uma safenização com dispêndios vultosos quase nunca disponíveis nos caixas municipais.
O que se tem a fazer é a vascularização desse corpo, criando vias alternativas para que a irrigação do tecido urbano volte a ser satisfatório à sobrevivência dele mesmo e das pessoas que anseiam por qualidade de vida.
Campos do Jordão é o retrato dessa situação. A área urbana cresceu junto com a demanda populacional de maneira irracional, calcada (ou não calcada) em diretrizes de crescimento, de paginas tão amareladas quase quanto suas normas ultrapassadas. Um eixo viário constituído pelas artérias Januário Miráglia, Frei Orestes Girardi e Estrada de Ferro, é o mesmo de 20 anos atrás.
A cidade quase duplicou sua população e viu quintuplicar o numero de veículos que nela trafegam. Não fossem só os 13.300 automóveis, caminhões e ônibus aqui licenciados, a facilidade de acesso promovida pelas rodovias SP-123/Carvalho Pinto/Ayrton Senna, trouxe para cá dezenas de milhares de veículos de fora que vieram ajudar no processo de entupimento das nossas vias.
E o nosso eixo viário continua o mesmo. Nada de ordenamento do estacionamento, nada de sinalização de obras…
Hoje, mais do que nunca, sentimos a premência da criação de vias alternativas. A população de Campos do Jordão já conhece alguns caminhos secundários que são verdadeiras montanhas russas, ou trilhas de “cross country”, para fugir da paradeira da avenida. Mas o turista, aquele nosso parceiro importantíssimo que nos vem trazer trabalhos, não sabe e não conhece.
O Plano Diretor de Desenvolvimento Estratégico, já em pleno desenvolvimento tem como prioridade a solução desse crucial problema. Antes que um infarto fulminante nos condene irremediavelmente a uma cidade morta, o Plano dará ao Executivo diretrizes técnicas viáveis à solução dessa tragédia urbana que aqui assistimos.
Quem depender de uma ambulância ou do Corpo de Resgates dos Bombeiros em determinadas ocasiões, perderá a vida, porque não dá para passar!
Vias alternativas de médio calibre e perimetrais de maior capacidade serão projetadas para desafogar o eixo principal, que aumenta dia a dia sua densidade.
As vias periféricas terão que ser prioritárias mesmo que às custas de altos investimentos.
Se a Prefeitura não tiver folego financeiro, teremos que apelar ao Estado, se realmente _Campos do Jordão – por enquanto a melhor Estância de Montanha de São Paulo _- interessar aos paulistas e brasileiros manter-se viva, bela e acolhedora.
Se estivermos preocupados com a qualidade para o turismo, certamente estaremos proporcionando qualidade de vida para o nosso povo.
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Uma colaboração expontânea e altamente técnica de um jordanense da nata, considerado em todas as áreas da sociedade local.
Por não haver atualizações, o povo que se vire.
Por Paulo de Tarso Moreira Marques














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