O que nos foi dado assistir ao longo desta campanha eleitoral foi um espetáculo surreal. Uma inversão de todos os padrões comuns às campanhas passadas, com tudo fluindo na contramão.
Tentei, tentei, mas não enxerguei os programas de governo. Não vi nada parecido. A nota tônica foi a desconstrução do outro. As biografias, acompanhadas de realizações, foram substituídas por algo semelhante ao Atestado de Antecedentes Criminais. O avesso ganhou legitimidade. O avesso do inverso e vice-versa.

Dá para entender? Para simplificar podemos dizer que o rabo abanou o cachorro.
Faz lembrar o poema “Sabotagem” de Mário Quintana:
“Estragaram o Grande Espetáculo do Juízo Final, porque antes do veredito fizeram explodir tudo quanto era bomba e apenas ficou no meio do deserto, misteriosamente sorrinda a dentadura postiça de Jeová”.
Segunda-feira, depois das eleições, basta apenas consultar o valor das ações na Bolsa de Valores e a cotação do dólar, para saber o resultado. Simples assim.
E vamos que vamos, porque a vida continua.
Por Gilberto Silos














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