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    Falta d’água afeta turismo, fecha restaurantes e força pousadas a contratar caminhões-pipa na Mantiqueira

    Cidade mais afetada é Santo Antônio do Pinhal, onde problema se arrasta há 23 dias. Picos de energia também são relatados por moradores e turistas

    Desde as fortes chuvas que atingiram a Serra da Mantiqueira paulista no último dia 9 de dezembro, vários bares, restaurantes, hotéis e pousadas vêm enfrentado problemas com o abastecimento regular de água e oscilações no fornecimento de energia elétrica. A cidade mais afetada é Santo Antônio do Pinhal, localizada a 172km de São Paulo, que enfrenta período de alta demanda de turistas.

    Empresários do setor turístico afirmam que o problema, que deixou alguns bairros totalmente sem água, vem afetando diretamente os visitantes. Os mais prejudicados são hóspedes de hotéis e pousadas, que precisam tomar banho; e de chalés, que disponibilizam cozinha completa, mas com o problema, ficam impedidos de preparar almoço ou jantar com as torneiras secas.

    A situação crítica provocada pela falta d´água obrigou alguns restaurantes e cafeterias a fecharem as portas, segundo o presidente da Acasap (Associação Comercial e Turística de Santo Antônio do Pinhal), Jeferson Neves.

    “Estamos em um momento bem difícil. Além de vários bairros estarem com dificuldades ou completamente sem água, existe um racionamento na região central e a Sabesp não dá informações e nem confirma. Temos restaurantes que chegaram a fechar em algum momento por conta da falta d´ água”, afirmou.

    Diversos comerciantes também relataram que vêm enfrentando oscilações ou interrupções pontuais no fornecimento de energia elétrica, o que agrava ainda mais a situação de quem trabalha diretamente com turismo. Alguns estabelecimentos tiveram eletrodomésticos queimados ou danificados por causa da oscilação de energia.

    Caminhões-pipa

    O hotel Reserva Santo Antônio, localizado em uma região mais alta da cidade, vem contratando caminhões-pipa para garantir o abastecimento. “Nesse período, o hotel tem arcado integralmente com os custos de abastecimento por caminhões-pipa, buscando garantir o funcionamento da operação e minimizar os impactos na experiência dos nossos hóspedes”, explica o proprietário Márcio Franco.

    Segundo ele, o cenário expõe eventual fragilidade estrutural no sistema de abastecimento do município. “Atualmente o sistema não dispõe de condições adequadas para sustentar a demanda de uma cidade com vocação turística, especialmente em períodos de alta ocupação”, acrescenta Franco, reforçando que o problema não é causado pelo hotel, “mas por uma falha no fornecimento público de água”.

    Turistas e moradores afetados

    A cafeteria Toca Café & Cia também enfrentou problemas com o fornecimento nos últimos dias. “Ficamos sem água durante a metade de um dia, me parece que o problema foi causado por falhas nas bombas da Sabesp”, conta o proprietário Sérgio Affonso. Segundo ele, a irregularidade no abastecimento ocorreu após fortes chuvas que atingiram a Mantiqueira, em dezembro.

    Segundo Affonso, a falta d´água comprometeu 70% dos serviços do estabelecimento, especialmente o preparo de cafés, que tem a água como um dos principais ingredientes. “Mantivemos as portas abertas e vendemos o que era possível, que não dependia de água, como refrigerantes e chocolates, com copos descartáveis. O problema causou desconforto aos clientes, que não podiam usar os banheiros e tiveram que substituir a lavagem das mãos pelo uso de álcool em gel”, relatou o empresário.

    O proprietário da pizzaria La Taverna di Luca notou que o problema acontece durante picos de alta temporada. “Existe alta demanda de consumo de água por causa dos turistas que visitam a cidade. Tivemos que fechar mais cedo, pois a água armazenada em nossa caixa acabou. Com isso, não havia mais água para dar descarga no banheiro e para lavarmos os pratos”, afirmou Luca.

    Ele acrescentou que recentemente teve um eletrodoméstico de seu estabelecimento queimado, por causa da oscilação de energia. “Há dois anos fizemos um abaixo-assinado cobrando providências da Elektro com relação aos constantes problemas de falta de energia na cidade”.

    José Alves Pereira Neto, proprietário do restaurante Voo Livre, afirma que a falta d´água em Santo Antônio do Pinhal é constante. Seu estabelecimento não foi afetado por possuir um sistema de armazenamento próprio. “Temos uma reserva grande de água onde conseguimos trabalhar pelo menos um dia inteiro sem abastecimento da caixa. Mas a falta d´água é constante”, destacou.

    Outro empresário que enfrenta problemas com o abastecimento de água é Giovani Sindelar, proprietário da Saint Coffee Mantiqueira. “A água costuma chegar apenas de madrugada, tanto no nosso estabelecimento, como em casa. Porém, a cafeteria e nossa residência já amanhecem sem água”, queixou-se Sindelar. “Há três semanas tivemos que fechar a cafeteria às 13h porque não havia água nas descargas dos banheiros, para lavar louças e servir café”, completou.

    O empresário conta ainda que durante a noite de Ano Novo, teve que dispensar familiares que o visitaram por causa da falta d´água. “Recebemos a família na virada do ano, mas precisei pedir para todos irem embora pois ficamos sem água. Não havia água para tomarmos banho, usar o banheiro, lavar louças. Está um caos há algum tempo, já estamos sem ter a quem recorrer”, lamentou.

    Cobranças

    O prefeito Anderson José Mendonça (PSD) informou que disponibilizou em tempo integral o caminhão-pipa da Defesa Civil para tender casos emergenciais. “Temos cobrado (da Sabesp) ações, investimentos, ampliação e modernização do sistema. A cobrança não se refere a esses 23 dias, mas vem de longa data”, explicou Parrão, como é conhecido.

    Ele afirmou que terá uma reunião no próximo dia 14 de janeiro na Semil (Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística), em São Paulo, para tratar sobre o assunto. “Vamos cobrar os investimentos necessários no exercício de 2026 e, após a reunião, divulgaremos um relatório. Nossa parte estamos fazendo, cobrando incessantemente a Sabesp, inclusive, colocando o caminhão-pipa da Defesa Civil, trabalhando todos os dias”, completou.

    Mário Galvão

     

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