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    “Do Céu ao Abismo em Minutos: O Rosto Oculto do ‘Gênio Forte’”

    Muitas vezes, a bipolaridade é confundida com o famoso “gênio forte”. Essa confusão é comum porque ambos podem se manifestar por meio de mudanças bruscas de humor, reações intensas e uma personalidade marcante. No entanto, existe uma diferença fundamental entre ter um temperamento forte e viver com um transtorno de humor.
    A pessoa com “gênio forte” tende a reagir de forma mais intensa a situações específicas, mas, depois de um tempo, retoma seu equilíbrio emocional. Já quem convive com a bipolaridade enfrenta oscilações emocionais profundas e persistentes, que não dependem apenas do ambiente ou de acontecimentos externos. São mudanças químicas e neurológicas que alteram o comportamento, a energia e até a percepção da realidade.
    Durante a fase maníaca ou hipomaníaca, o indivíduo pode parecer apenas muito confiante, cheio de ideias e energia — o que muitas vezes é interpretado como uma “fase boa”. Mas, na verdade, essa euforia pode vir acompanhada de impulsividade, gastos excessivos, fala acelerada e dificuldade de dormir. Já na fase depressiva, o mesmo indivíduo que parecia tão cheio de vida pode mergulhar em um estado de profunda tristeza, apatia e desesperança.


    Quando a sociedade rotula alguém como “explosivo”, “difícil” ou “intenso demais”, muitas vezes está ignorando um sofrimento silencioso. A bipolaridade não é questão de personalidade, mas de saúde mental. Reconhecer essa diferença é essencial para que a pessoa receba acolhimento e tratamento adequados, em vez de julgamento.
    No fim, entender que gênio forte é temperamento, e bipolaridade é condição clínica, é um passo importante para quebrar preconceitos e promover empatia. Porque o que pode parecer apenas intensidade, muitas vezes é um pedido de ajuda disfarçado de força.

    Dra Pollyana Vieira
    Neurocientista Especialista em Comportamento e Desenvolvimento Humano
    SBNeC n° 16557/21
    Psicanalista
    Analista do Comportamento – ABA

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    • Faz todo sentido a explicação da Dra… Realmente confundimos esses comportamentos. Parabéns pelo artigo!

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