Variedades

    “A Última Sessão de Freud” chega ao Teatro Municipal de São José dos Campos

    Sucesso de público, peça dirigida por Elias Andreato traz Odilon Wagner e Marcello Airoldi em cena e recria o encontro imaginário entre Sigmund Freud e C.S. Lewis, em um diálogo entre fé e razão

    E se dois dos maiores pensadores do século 20 se encontrassem frente a frente para discutir Deus, razão e o sentido da vida? É essa a provocação de “A Última Sessão de Freud”, espetáculo em cartaz no Teatro Municipal de São José dos Campos (SP), nos dias 15, 16 e 17 de maio de 2026 – sexta e sábado, às 20h, e domingo, às 17h.

    Na palco, um encontro entre Sigmund Freud, o pai da psicanálise, e C.S. Lewis, escritor que se tornou um dos mais influentes defensores da fé cristã, em um debate intenso e atual sobre crença, ciência e existência.

    Em cena, Odilon Wagner dá vida a Freud, enquanto Marcello Airoldi interpreta C.S. Lewis, sob direção de Elias Andreato. Um dos grandes sucessos do teatro brasileiro desde 2022, o espetáculo já soma mais de 400 apresentações e quatro anos em cartaz, com turnês nacionais e plateias lotadas.

    Embate de ideias

    Com texto de Mark St. Germain, a montagem é baseada no livro “Deus em Questão”, escrito por Dr. Armand M.Nicholi Jr., professor clínico de psiquiatria da Harvard Medical School. Na trama, Freud busca entender por que um ex-ateu, brilhante intelectual como C.S. Lewis, pode, segundo suas palavras, “abandonar a verdade por uma mentira insidiosa”, tornando-se um cristão convicto.

    No gabinete de Freud, na Inglaterra, eles conversam sobre a existência de Deus, mas o embate verbal se expande por assuntos como o sentido da vida, natureza humana, sexo, morte e as relações humanas, resultando em um espetáculo que se conecta profundamente com o espectador através de ferramentas como o humor, a sagacidade e o resgate da escuta como ponto de partida para uma boa conversa. O sarcasmo e a ironia rondam toda essa discussão. As ideias contundentes ali propostas nos confundem, por mais ateus ou crentes que sejamos.

    “Essa peça é um elogio ao diálogo, tão necessário em nossos tempos. Saio do teatro todos os dias mais convicto que podemos e devemos conviver pacificamente com aqueles que pensam diferente de nós”, afirma Odilon Wagner.

    Quando a palavra conduz a cena

    O cenário assinado por Fábio Namatame (indicado ao Prêmio Shell de “Melhor cenário”) reproduz o consultório onde Freud desenvolvia sua psicanálise e seus estudos. Ele estava exilado na Inglaterra depois de ter fugido da perseguição nazista na Áustria, em plena segunda guerra mundial, no ano de 1939.

    Segundo o autor, a peça mostra um embate de ideias. Mas houve uma preocupação de que o espetáculo não se transformasse em um debate. “Por isso, pelo bem da ação dramática, situei o encontro entre Freud e Lewis no dia em que a Inglaterra ingressou na Segunda Guerra Mundial. São dois homens no limite, sabendo que Hitler poderia bombardear Londres a qualquer minuto”.

    Já o diretor Elias Andreato optou por uma encenação que valoriza a palavra, construindo as cenas de modo que o texto seja o protagonista e as ideias estejam à frente de qualquer linguagem.

    “A idéia do autor Mark St. Germain de provocar esse encontro entre Freud e Lewis cria um jogo teatral de ideias, crenças e visões de mundo profundamente distintas. O diálogo entre os dois personagens é, por vezes, irônico, por vezes violento, mas surpreendentemente sociável, e é justamente aí que reside sua força: na prova de que é possível conviver com as diferenças de forma inteligente, crítica e sobretudo, humana”, explica.

    Odilon Wagner constrói um Freud de extrema humanidade, numa composição precisa, milimétrica, que torna seu trabalho inesquecível. Já Marcello Airoldi demonstra que o humor e a leveza podem existir mesmo quando as ideias se chocam e percorrem territórios perigosos, densos e provocadores.

    “O espetáculo dialoga com o público de maneira sensível e direta. Seu sucesso nasce da atualidade do tema e da urgência em discutir questões profundas e delicadas que atravessam o nosso cotidiano, especialmente em um Brasil cada vez mais dividido. O teatro mostra, mais uma vez, ser o veículo ideal para falar da violência com poesia, reflexão e escuta, abrindo caminhos para a transformação”, afirma Andreato.

    O impacto de interpretar

    Para Odilon Wagner a experiência de interpretar Freud tem um significado especial nesses seus 56 anos de profissão. “Tem sido uma das experiências mais fascinantes de minha carreira, é um privilégio poder representar uma personagem tão potente como Freud, um dos grandes pensadores do século 1920. Nesses últimos quatro anos em que estivemos em cartaz, já rodamos o país três vezes e repetiremos a turnê em 2026”, afirma.

    Segundo ele, a reação do público, sempre tão entusiasmada, e os encontros e debates que ocorrem nos teatros e nas universidades enriqueceram muito a experiência e trazem a confirmação da atualidade do pensamento Freudiano em nosso século. “O espetáculo estimula a nossa reflexão sobre a necessidade de praticarmos uma cultura de paz, nos provoca a exercer nossa humanidade com mais fervor e atenção, para que não se repita a história deletéria da segunda guerra mundial, vivenciada por Freud”, completa.

    Segundo Marcelo Airoldi, o teatro “nunca é feito de facilidades e não há fórmulas para o sucesso de um projeto”. Mas quando este acontece, saltam aos olhos detalhes que evidenciam a existência de cuidados especiais, seja na produção, direção ou qualquer outro aspecto técnico do espetáculo.

    “Num mundo dominado por algoritmos da superficialidade, é maravilhoso encontrar plateias sedentas pelo bom debate, humor de qualidade, poesia e pela história de bons personagens como estes, que a dramaturgia juntou na mesma página”, conclui o ator.

    Ficha Técnica
    Texto: Mark St. Germain
    Tradução: Clarisse Abujamra
    Direção: Elias Andreato
    Assistente de Direção: Raphael Gama
    Idealização: Ronaldo Diaféria
    Elenco: Odilon Wagner e Marcello Airoldi
    Cenário e figurino: Fábio Namatame
    Assistente de cenografia: Fernando Passetti
    Desenho de Luz: Gabriel Paiva e André Prado
    Designer de som: André Omote
    Iluminação: Nádia Hinz
    Sonorização: Gabriel Fernandes
    Trilha Sonora: Raphael Gama
    Arte Gráfica: Rodolfo Juliani
    Fotografia: João Caldas
    Produtor Executivo: Adolfo Barreto
    Cenotécnica/Contra-regragem: Vinicius Henrique, Kauã Nascimento
    Produtores Associados: Ronaldo Diaféria e Odilon Wagner

    Sinopse
    No gabinete de Freud, na Inglaterra, o pai da psicanálise e o escritor C.S. Lewis conversam sobre a existência de Deus, mas o embate verbal se expande por assuntos como o sentido da vida, natureza humana, sexo e as relações humanas, resultando em um espetáculo que se conecta profundamente com o espectador através de ferramentas como o humor, a sagacidade e o resgate da escuta como ponto de partida para uma boa conversa. O sarcasmo e ironia rondam toda essa discussão. As ideias contundentes ali propostas nos confundem, por mais ateus ou crentes que sejamos.

    Serviço
    A Última Sessão de Freud, de Mark St. Germain
    Local: Teatro Municipal de São José dos Campos – 3º Shopping Centro
    R. Rubião Júnior, 84, Centro, São José dos Campos (SP), 12210-180
    Temporada: 15, 16 e 17 de maio de 2026
    Sexta e Sábado às 20h e Domingo às 17h.
    Ingressos: entre R$25 e R$160
    Vendas online em: https://www.freud.art.br e Sympla
    Capacidade: 490 lugares
    Classificação: 14 anos
    Duração: 90 minutos
    Acessibilidade: Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

    Crédito foto: João Caldas/Divulgação

    Paula Maria Prado

    (12) 99144-0677

    paula.prado@2112lab.com.br

    www.2112lab.com.br

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