Passados os recessos e os festejos carnavalescos, o Brasil volta a funcionar. Finalmente, 2026.
Em âmbito interno, as eleições para o Executivo e Legislativo encabeçam a pauta das prioridades.
Mais uma vez temos a oportunidade de mudar os rumos do país, por meio do voto e do debate político. Mudar para valer! Será factível esse “milagre”?
Pressupõe-se que alguma coisa muda quando mudam os governos. Afinal, essa ou aquela promessa de palanque precisa ser cumprida. Alguma satisfação deve ser dada ao eleitorado. Porém, em essência ou substancialmente, pouca coisa relevante muda para valer. O fundamental sempre fica para as Calendas, como promessa da próxima campanha. Como perguntar não ofende, a quem interessa ou não interessa mudar os rumos da nação?
Essa reflexão nos faz lembrar a famosa frase do romance O LEOPARDO, do escritor italiano Giuseppe di Lampedusa: “Se quisermos que as coisas permaneçam como estão, é preciso que tudo mude”.
O livro, publicado em 1958, aborda uma realidade das democracias liberais, que se perpetuou no tempo. Reflete a necessidade de adaptação das elites dominantes para poder manter seus privilégios ante a ameaça de profundas transformações sociais e políticas.

No Brasil não é diferente. Vale tanto para o Executivo como para o Legislativo: uma reforminha aqui, uma lei marota ali, um benefício acolá, e voltamos a conversar nas próximas eleições.
Assim, nosso país continua a patinar em velhos problemas estruturais, mantendo sempre a expectativa de que alguma surpresa conjuntural não venha piorar as coisas.
Para realizar mudanças efetivas a longo prazo, há necessidade de vontade política e mobilização. Isso requer a inspiração e a ação de lideranças no verdadeiro sentido da palavra. Parece que o Brasil atual carece desse ativo político, intelectual e moral, aquele líder que no conceito de Platão propõe -se a servir e não a ser servido.
Por Gilberto Silos














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