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    Vistos de moradia para os EUA ‘congelados’: quais os melhores países para brasileiros morarem fora?

    Enquanto Donald Trump fecha as portas para imigrantes, Itália, Canadá e Alemanha são algumas alternativas

    O famoso “sonho americano” se tornou mais difícil para brasileiros e cidadãos de outros 74 países, como Rússia, Egito e Tailândia. Isso porque, desde a última quarta-feira (21/1), entrou em vigor a decisão dos Estados Unidos de “congelar” os vistos de moradia para imigrantes de diversas nações. A medida, anunciada pelo Departamento de Estado dos EUA, visa evitar a admissão de cidadãos que possam se tornar um encargo público para o governo norte-americano, teoricamente sem impactar turistas e estudantes. Agora, quais países podem virar uma alternativa para quem deseja fixar residência fora do Brasil?

    Os dados mais atualizados do governo federal, de 2023, mostram que os Estados Unidos são o país que concentra mais brasileiros no mundo: 2,08 milhões de pessoas. Em seguida aparecem Portugal (513 mil) e Paraguai (263.200). Os números são do documento “Comunidades Brasileiras no Exterior”, do Ministério das Relações Exteriores, e apontam que há cerca de 4,9 milhões de brasileiros e brasileiras residentes no exterior, um aumento de cerca de 400 mil pessoas em relação a 2022.

    Welliton Girotto, CEO da Master Cidadania, acredita que a decisão dos Estados Unidos pode fazer com que os brasileiros que desejam morar no exterior voltem suas atenções para a Europa. “Os EUA atraíam muitos brasileiros de classes mais abastadas, que podem perfeitamente optar por cidades europeias. Milão, por exemplo, tem atraído muitos super ricos pelo seu aspecto cosmopolita”, aponta.

    Fora da bolha dos mais abastados, brasileiros em busca de trabalho também podem encontrar oportunidades no Velho Continente – principalmente em países como Itália, Espanha e Alemanha. “A Europa tem uma escassez constante de mão de obra por causa do envelhecimento da população e a baixa natalidade. Só que esses países buscam trabalhadores qualificados. Não se trata de uma migração genérica, essa ideia de ir para fora ‘lavar prato e juntar dinheiro’ é coisa do passado”, afirma.

    Apesar de haver oportunidades em diversas áreas, Girotto aponta que há setores que concentram mais oportunidades. Diversos tipos de engenharia, como mecânica e civil, e profissionais técnicos, como soldadores qualificados, caldeireiros e ferramenteiros, andam em alta por lá.

    “Já profissionais da construção, como mestre de obras e técnicos em segurança do trabalho, são especialmente relevantes para Alemanha e regiões industriais do norte da Itália e Espanha. Também há procura por enfermeiros, cuidadores, fisioterapeutas e técnicos em análises clínicas. O setor sanitário anda muito aquecido no pós-pandemia”, diz.

    Segundo o especialista, é necessário preparo por parte dos candidatos para conquistar uma dessas vagas e partir de vez para o exterior. “É preciso dar segurança ao empregador. Além de um bom currículo, com comprovação de que sua base acadêmica foi boa no Brasil, também é bom demonstrar que conhece um pouco da cultura e dos costumes do país onde se pretende morar. Outra questão é a língua. Não precisa ser completamente fluente, mas é bom saber comunicar o básico e mostrar que você saberá se virar”, aconselha.

    Girotto afirma ainda que o processo para conseguir um visto de moradia para a Europa pode levar de 6 a 8 meses e custar cerca de R$ 25 mil, que são investidos em pagamento de taxas e resolução de burocracias.

    Canadá: frio e qualidade de vida

    País que faz fronteira com os Estados Unidos, o Canadá é conhecido pelos seus invernos longos e rigorosos, o que não impede que vários brasileiros escolham morar lá. Atualmente, o país é o nono do planeta com maior número de brasileiros, com 143 mil pessoas. De acordo com Willian Brito Santos, consultor de imigração canadense da EveryStep Immigration Services, segurança, qualidade de vida, acesso a serviços públicos e equilíbrio entre vida pessoal e trabalho são alguns dos fatores que atraem os imigrantes.

    “Cidades canadenses aparecem com frequência entre as melhores do mundo para se viver. Além disso, universidades canadenses estão regularmente posicionadas entre as mais prestigiadas do mundo, o que também atrai brasileiros interessados em estudo, qualificação profissional e imigração de longo prazo. O país também conta com uma política migratória estruturada, que trata a imigração como parte estratégica do desenvolvimento do país”, diz.

    Ela também afirma que a parte financeira tem compensado bastante. Atualmente, sua renda mensal fica um pouco acima do salário mínimo local – que gira em torno de 17,85 dólares canadenses (cerca de R$ 69) a hora.

    “O Canadá é um país que possibilita poder de compra. Aqui acabamos tendo acesso a coisas que são muito caras no Brasil. O poder de compra não é só sobre quanto dinheiro você ganha, mas sobre quanto esse dinheiro ‘vale’ no dia a dia. O salário aqui permite que você tenha uma vida mais digna do que no Brasil”, garante.

    Irlanda e Itália: incentivos e facilitações

    ITALIA

    IRLANDA

    Enquanto os EUA “fecham” suas portas, outros países adotam programas para incentivar a imigração. Um dos exemplos é a Irlanda, que renovou no ano passado o programa “Our Living Islands”. A iniciativa, lançada em 2023 e com pretensões de durar até 2033, é um programa de combate à despopularização através de medidas como pagamento de bônus ao morador que se realocar para uma das 23 ilhas pouco habitadas do país. Juntas, elas têm uma população combinada estimada de apenas 2.734 pessoas, de acordo com levantamento de 2016.

    Os valores de bônus são concedidos em faixas de até 50 mil euros (R$ 310,5 mil), dependendo da ilha, e os incentivos devem ser destinados para reformas de casas. Não é preciso ser cidadão irlandês para se candidatar a um dos pacotes de incentivo. No entanto, os interessados devem ter o direito de residir no país, conforme as regras de visto já estabelecidas.

    Já a Cidadania4U, assessoria de cidadania europeia, anunciou recentemente que assinou uma parceria inédita com cooperativas e prefeitos italianos. O objetivo é que 1 milhão de ítalo-descendentes migrem para pequenas comunas em Molise, região sul da Itália, até 2030 – contribuindo para combater o despovoamento.

    Batizado de Ritorno 2030, o programa prevê facilitação de compra de imóveis no país e apoio para emissão de passaporte, carteira de identidade e habilitação italiana a todos os italianos já reconhecidos que vivem no Brasil.

    “Criaremos laços e pontes com empresários, estudantes, profissionais e famílias que desejam contribuir para a reestruturação das tradicionais vilas italianas. Já as prefeituras da região do Molise serão o braço facilitador, articulando a implementação do programa para o maior número de interessados”, afirma Rafael Gianesini, cofundador da Cidadania4U.

    Portugal: destino ainda vale a pena?

    Segundo destino preferido pelos brasileiros, atrás apenas dos EUA, Portugal reúne um conjunto de fatores que o tornaram um país atrativo para novos moradores. De acordo com Rafael Gianesini, cofundador da Cidadania4U, a língua e a proximidade cultural facilitaram a integração de brasileiros, algo que pesa muito em processos migratórios.

    Nos últimos anos, porém, não foram poucas as notícias envolvendo casos de violência e xenofobia contra brasileiros em aeroportos e escolas. Recentemente, 37 pessoas foram presas no país em uma operação contra neonazistas que atacaram brasileiros.

    Daniel Toledo, advogado que atua na área do direito internacional e especialista em negócios internacionais e geopolítica, explica que o país viveu um crescimento migratório muito acelerado em pouco tempo, o que gerou pressão sobre moradia, mercado de trabalho e serviços públicos.

    Para Rafael Gianesini, ir para Portugal hoje exige mais planejamento, documentação adequada e expectativas realistas. “Para quem chega regularizado, com visto adequado ou já como cidadão europeu, o nível de integração e segurança é incomparavelmente maior. O problema maior recai sobre quem migra de forma precária, sem status jurídico sólido, ficando mais exposto a vulnerabilidades sociais”, orienta.

    Como resposta ao aumento expressivo da imigração nos últimos anos, Portugal aprovou, no ano passado, alterações da Lei dos Estrangeiros de Portugal que tornam mais rigoroso o processo de aquisição de vistos de residência, trabalho ou estudo e alteram o processo de solicitação de nacionalidade portuguesa.

    “Na prática, Portugal sinaliza que continua aberto à imigração, mas de forma mais controlada, organizada e previsível. Para o brasileiro, isso significa que a imigração deixou de ser um processo informal ou adaptável após a chegada. Hoje, o projeto de residência ou cidadania precisa ser estruturado ainda no Brasil, com base nas regras atuais e não em modelos que já não existem mais”, aponta Toledo.

    Visto de moradia para os EUA pode voltar?

    Apesar de o Departamento de Estado dos EUA ter afirmado que a medida valerá por “prazo indeterminado”, há quem aposte que a decisão pode ser revertida em breve. Essa é a tese do advogado Alexandre Piquet, fundador da Piquet Law Firm, que mora há 26 anos em Miami e atua na área de direito imigratório. “Temos relações econômicas importantes com o país norte-americano. O Brasil é o principal parceiro comercial da Flórida, por exemplo. Esse é um aspecto importante e que deve pesar na reversão dessa medida”, diz.

    Segundo ele, isso foi motivado por uma maior rigidez da revisão administrativa no processo de emissão dos vistos. “Os EUA estão atentos a fatores como idade, doenças crônicas, situação financeira e sobrepeso. São critérios que o país entende que podem gerar encargos públicos para o governo. São critérios que já existiam, mas que agora estão sendo mais levados em consideração”, aponta.

    De acordo com o comunicado oficial da representação diplomática norte-americana no Brasil, nenhum visto de imigrante será efetivamente emitido enquanto a diretriz do Departamento de Estado dos Estados Unidos estiver em vigor.

    Alta demanda pela emigração

    Em 2025, a alta movimentação de brasileiros rumando legalmente para morar ou estudar em outros países fez a demanda por validação de documentos para outras nações aumentar 12,61% nos cartórios de Minas Gerais em relação ao ano anterior, segundo o Colégio Notarial do Brasil (CNB/MG). Foram 73.209 documentos registrados no território mineiro em 2025, em comparação com os 65.012 registros realizados em 2024.

    Fonte: O TEMPO

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