Manhã de uma sexta-feira. Fevereiro. Cá estou na feira livre da Vila Ema, em São José dos Campos. Venho aqui com alguma frequência. Na verdade não sei bem prá quê. Caminhar um pouco? Talvez. Encontrar algum velho amigo ou conhecido? Isso me é prazeroso, porém às vezes me frustro por não cruzar com algum rosto conhecido.
A impressão que tenho é de ter criado um hábito, quase um automatismo. Algo assim como me deixar conduzir por um piloto automático. Pode ser, mas não tenho certeza. Aliás, ultimamente quem tem muita certeza das coisas?
Por falar nisso, dizem os entendidos em astrologia que em 2026 os trânsitos dos astros no zodíaco indicam muitos conflitos e turbulências, mas também energia de sobra para a realização de projetos ousados.

Projetos ousados? Algo que exija mudanças radicais? Encarar o “novo” sem medo? Isso faz lembrar as palavras de Fernando Pessoa: “Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas; que já têm a forma dos nossos corpos, que nos levam sempre aos mesmos caminhos e lugares…”. Finalizo minhas elucubrações aqui na feira me perguntando: Afinal, que plano ousado tenho para 2026?
Da pequena mesa de plástico onde me encontro, fico observando a variedade de tipos humanos circulando por entre as bancas de frutas e legumes e me pergunto se terão planos ousados para este ano.
Próximo da banca do pastel um rapaz muito magro, com a barba mal aparada, dedilha um violão e canta um repertório de Milton Nascimento. Encanta meus ouvidos a letra de Travessia e a singeleza melódica de Cuitelinho.
Já de saída, finalmente encontro um velho amigo. Gente boa. Papo gostoso. Desses que a gente não esquece. A conversa é rápida e acabamos por nos despedir.
Caminho lentamente para fora da feira, ainda ouvindo o rapaz cantando algo que conheço: “Maria, Maria, é o som, é a dor…”.
Até a próxima sexta na feira!
Por Gilberto Silos














Que texto delicado!