Quando esta crônica for lida, provavelmente Carlo Ancelotti já estará no Brasil para assumir o comando técnico da Seleção Brasileira.
Para o falecido dramaturgo e escritor Nelson Rodrigues ´´a Seleção é a pátria em chuteiras“. Essa é uma de suas tantas frases de efeito, mas expressa muito bem a dimensão do que o escrete canarinho representa para o povo brasileiro.
O mito da camisa verde-amarela conquistou o mundo com a magia de seu futebol que o levou ao pentacampeonato. Nunca uma nação se identificou tanto com seleção, porque o futebol, para nós, é um valor cultural, fazendo parte de nossa própria identidade como povo.
Infelizmente, tudo isso está se tornando glórias do passado. Nossos seguidos fracassos em campeonatos mundiais desacreditaram a Seleção, cuja última conquista aconteceu em 2002. Desde então vimos colecionando uma decepção atrás da outra e o tão badalado melhor futebol do mundo já não assusta ninguém. Se alguém duvida, basta atentar para a nossa medíocre participação nas Eliminatórias.

Já não temos mais aquelas abundantes safras de craques como no passado. Nossos treinadores são considerados desatualizados. A desorganização reinante no futebol brasileiro não dá margem a qualquer otimismo quanto à participação na próxima Copa.
Neste contexto adverso chega Ancelotti. Como treinador e conhecedor de futebol não lhe faltam méritos nem conquistas. A CBF, que o contratou, encontra-se acéfala, elegendo um novo presidente, porque o anterior foi afastado por conduta fraudulenta.
Ancelotti talvez conheça bem os brasileiros que jogam nos grandes clubes europeus. Porém, não conhece o futebol brasileiro como aqui é praticado, seu calendário maluco e a desorganização nele reinante.
Pesquisas recentes revelam que boa parte da torcida, à falta de uma alternativa tupiniquim, concorda com a vinda de Carlo Ancelotti, sem contudo, mostrar-se otimista.
Que ninguém se iluda. Ancelotti é um técnico consagrado, mas pelo que se sabe, não é milagreiro.
Por Gilberto Silos














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