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    Tempo que crianças passam em dispositivos eletrônicos pode impactar na saúde cardíaca

    A ligação entre o tempo de tela e os riscos cardiometabólicos foi mais forte entre os jovens que dormiam menos horas

    O tempo que crianças e jovens passam em celulares, jogos eletrônicos e outros dispositivos pode colocar sua saúde cardíaca em risco, revela um novo estudo publicado no Journal of the American Heart Association. De acordo com os resultados da pesquisa, há maior maior risco de doenças cardiometabólicas, como pressão alta, colesterol elevado e resistência à insulina, com base em dados de mais de 1.000 participantes de um estudo na Dinamarca. A análise foi revisada por pares da American Heart Association.

    “Limitar o tempo de tela discricionário na infância e adolescência pode proteger a saúde cardíaca e metabólica a longo prazo”, disse o autor principal do estudo, David Horner, pesquisador do Copenhagen Prospective Studies on Asthma in Childhood (COPSAC) da Universidade de Copenhague, na Dinamarca. “Nosso estudo fornece evidências de que essa conexão começa cedo e destaca a importância de ter rotinas diárias equilibradas.”

    “Conseguimos detectar um conjunto de alterações metabólicas no sangue, uma ‘impressão digital do tempo de tela’, validando o potencial impacto biológico do comportamento de passar tempo em tela”, disse Horner. “Reconhecer e discutir hábitos de tela durante consultas pediátricas pode se tornar parte de um aconselhamento mais amplo sobre estilo de vida, assim como dieta ou atividade física.”

    Análises

    Para a pesquisa, foram usados dados de 1.287 crianças, de 6 a 10 anos, em 2010, e de 364 jovens, de 18, em 2000. Os pesquisadores examinaram a relação entre o tempo de tela e os fatores de risco cardiometabólico. O tempo de tela incluiu o tempo gasto assistindo TV, filmes, jogando ou usando celulares, tablets ou computadores para lazer.

    Para o estudo, foi avaliado um conjunto de pontuação formado por componentes que integram a chamada síndrome metabólica — medida da cintura, pressão arterial, lipoproteína de alta densidade (HDL) ou colesterol “bom”, triglicerídeos e níveis de açúcar no sangue — e ajustada para gênero e idade. A pontuação cardiometabólica refletiu o risco geral do participante em relação à média do grupo de estudo (medida em desvios-padrão): 0 significa risco médio e 1 significa um desvio-padrão acima da média.

    A análise também constatou que tanto a duração do sono quanto o horário do sono afetaram a relação entre o tempo de tela e o risco cardiometabólico. Tanto a menor duração do sono quanto o momento de dormir mais tarde intensificaram a relação entre o tempo de tela e o risco cardiometabólico. Crianças e adolescentes que dormiram menos apresentaram risco significativamente maior associado à mesma quantidade de tempo de tela.

    “Na infância, a duração do sono não apenas moderou essa relação, como também a explicou parcialmente: cerca de 12% da associação entre tempo de tela e risco cardiometabólico foi mediada pela menor duração do sono”, disse Horner. “Essas descobertas sugerem que a falta de sono pode não apenas amplificar o impacto do tempo de tela, mas também ser um caminho fundamental que liga os hábitos de tela a alterações metabólicas precoces.”

    Para Amanda Marma Perak, presidente do Comitê de Prevenção de Doenças Cardiovasculares de Corações Jovens da American Heart Association, que não participou do estudo, há urgência nas ações.

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