Ontem tive um sonho no mínimo curioso. Desesperado, encontrava-me perdido em um deserto qualquer. Fome, sede e medo me atormentavam. No momento mais angustiante daquela enrascada, sobreveio-me um milagre. Não sei como, nem donde, apareceu um ancião, que me conduziu a um oásis salvador.
Recomposto daquela quase tragédia, percebi o ancião mirando-me fixo nos olhos, como quem pretendia dizer algo muito importante.
Com postura e voz solenes como de um profeta bíblico, ele me fez uma revelação:
“Está escrito! Quando o Fogo Divino consumir o mundo e seus habitantes, somente os poetas sobreviverão. Eles são os arautos de uma nova consciência humana. São criaturas sensíveis, capazes de interpretar as angústias presentes e antecipando-se aos tempos, vislumbrar caminhos futuros”.
“A poesia é uma pródiga fonte de beleza e vida sensível. Os poetas são criadores de sonhos e artesãos de palavras. As palavras que carregam esses sonhos são seres alados, a voar no Infinito e ecoar em dimensões cósmicas”.

“Os poetas herdarão o Novo Céu e a Nova Terra”.
De súbito, despertei dessa profecia, ainda que transmitida em sonho. Tudo muito estranho. Lembrei-me, então, de Shakespeare em “Hamlet”: “Há mais mistérios entre o céu e a terra do que nossa vã filosofia pode imaginar”.
Voltei, então, a dormir.
Gilberto Silos














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