Dias atrás, convidado que fui, estive numa festa de aniversário. Dessas em que não faltam bexigas, línguas de sogra e a fatia de bolo é quase transparente de tão fina.
Lá pelas tantas, a conversa seguia tediosa e resolvi chamar um Uber para ir embora.
Entrementes, uma senhora de meia idade, do nada perguntou-me a idade. Respondi-lhe sem pestanejar: – “Dentro de alguns meses completarei 85 anos”’.
– “85 anos?!! Mas, sem querer ofendê-lo, o senhor é muito velho! Deve ter visto coisas incríveis e conhecido gente famosa. ”
Eu, querendo me escafeder daquela chatice toda e nada do Uber chegar.
Para preencher o tempo de espera fui direto e reto em relação à pergunta que me foi feita:
– Conheci a comissária de bordo do 14-bis, e degustei um cachorro quente na esquina da Praça da Sé com a Rua Direita, na companhia de Santos Dumont –
A mulher começou a me encher de perguntas. Num dado momento quis saber se eu havia presenciado algum fato histórico.
– Sim tive a oportunidade de assistir ao fuzilamento de Mata Hari durante a Primeira Guerra Mundial. –
– Mas, quem era essa tal de Mata Hari? , perguntou a mulher.
Fui logo rosnando: – Foi uma fofoqueira, perguntadeira, que de tão habituada ao “leva e traz” foi condenada à morte por espionagem. Se não fizesse tantas perguntas sobre a vida alheia, talvez tivesse sobrevivido-.
Antes da mulher esboçar uma reação agressiva, finalmente chegou o meu Uber. Que sensação de alívio!
Por Gilberto Silos.














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