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    Salas lotadas e emoção marcam as estreias de “Onde o Tempo Faz a Curva” em Santa Branca e Jacareí

    As primeiras exibições públicas do telefilme Onde o Tempo Faz a Curva transformaram as noites de estreia em Santa Branca e Jacareí em encontros de memória, afeto e reconhecimento coletivo. Com sessões lotadas e público profundamente envolvido, o filme dirigido por Tatiana Baruel confirmou sua força ao trazer para a tela as histórias, mitos e personagens que habitam o imaginário do Vale do Paraíba.

    Em Santa Branca, cidade onde se concentram grande parte das locações e onde vive o contador de histórias Sarkis, o público reagiu de forma intensa. “Foi uma grande alegria ver as pessoas se conectando e se emocionando. Muitas vieram falar comigo ao final, agradecendo pelo filme e pela valorização do Sarkis, que representa todos os contadores de histórias da região”, relata a diretora.

    Já em Jacareí, a sessão foi marcada pelo reencontro da equipe com a obra finalizada e pelo reconhecimento das histórias compartilhadas entre as duas cidades. “Foi um momento muito emocionante, tanto para quem participou do filme quanto para o público, que reconheceu nas narrativas algo que também pertence à sua memória”, conta Tatiana.

    Os depoimentos do público após as sessões revelaram o impacto afetivo do filme. Pessoas relataram ter ouvido aquelas histórias na infância, outras disseram reconhecer paisagens ou lembrar de familiares ao ver determinadas cenas. “O filme tocou tanto quem reconheceu diretamente as narrativas quanto quem teve suas memórias despertadas de forma indireta. Foi um encontro bonito entre passado e presente”, afirma a diretora.

    Para Tatiana, esse retorno confirma o papel do cinema como instrumento de preservação cultural: “O cinema registra histórias que poderiam se perder com o tempo. Ele funciona como espelho: as pessoas veem suas ruas, sua cidade, seus personagens e se reconhecem. Isso fortalece o sentimento de pertencimento e eleva a autoestima coletiva.”

    Sarkis: guardião da memória coletiva

    O reconhecimento ao trabalho de Sarkis foi um dos pontos mais emocionantes das estreias. Figura querida em Santa Branca e conhecido em diversas cidades do Vale, o contador de histórias interpreta a si mesmo no filme.

    “O público demonstrou carinho e orgulho por ele. Nosso objetivo foi homenagear Sarkis, mas também, por meio dele, valorizar todos os guardiões da memória do Vale do Paraíba”, destaca Tatiana.

    A presença do contador também ajudou a aproximar diferentes gerações. Em Jacareí, crianças e adolescentes estiveram presentes na sessão, reforçando o potencial do filme para futuras exibições em escolas e projetos educativos.

    Mais do que registrar mitos regionais, o filme propõe reflexões sobre temas que atravessam os séculos, como racismo, guerras e a relação com a natureza. Para a diretora, o impacto também foi interno: “O processo de realização foi transformador para a equipe, figurantes e colaboradores. Trabalhar com estrutura profissional e contar nossas próprias histórias fortaleceu o desejo de que novas produções de ficção surjam no Vale do Paraíba.”

    Outro aspecto que se destaca na realização de Onde o Tempo Faz a Curva é a composição de uma equipe diversa. O filme contou com profissionais pretos e pessoas LGBT em funções de destaque na produção e no elenco, reforçando o compromisso do projeto com representatividade e inclusão no audiovisual regional. Essa diversidade se reflete tanto nos bastidores quanto na sensibilidade com que as histórias são contadas.

    Próximos passos: festivais e circulação nacional e internacional

    Após as estreias, o filme inicia em 2026 sua trajetória em festivais de cinema no Brasil e no exterior, com foco em mostras que acolhem médias-metragens e também festivais de cinema fantástico, em razão do diálogo entre realismo e sobrenatural presente na narrativa.

    Por exigência de muitos festivais, novas exibições públicas serão temporariamente suspensas para garantir o ineditismo da obra. Após esse circuito, o projeto entrará em fase de distribuição e licenciamento, incluindo conversas iniciais com canais de televisão interessados na exibição futura do filme.

    Depois de cinco anos de desenvolvimento, filmagens e finalização, a diretora resume o sentimento ao ver o filme finalmente encontrar seu público:

    “Quando o propósito é sincero e o trabalho é constante, o sonho encontra seu caminho para se tornar realização.”

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