Com distribuição e atividades gratuitas, projeto articula texto, som e design em iniciativa que reforça a expansão da cena literária — um convite a experiências que ultrapassam o ambiente digital
Em um cenário de retomada do mercado editorial e crescente busca por experiências fora do ambiente digital, iniciativas no interior paulista têm reposicionado a literatura como vivência. Dados recentes da Câmara Brasileira do Livro e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros apontam que o setor apresentou alta nominal em torno de 4%, impulsionado por editoras independentes, feiras regionais e novos formatos de circulação, como projetos de leis de incentivo. No Vale do Paraíba, a obra “Liberte-ta” chega neste contexto, no dia 23 de maio, às 15h, com uma leitura poética e escuta guiada na Sala de Leitura do Parque Vicentina Aranha, propondo ao público uma imersão sensorial que articula literatura, som e presença.

Ao incorporar recursos como escuta com fones, projeções audiovisuais e mediação artística, o projeto se insere em um movimento mais amplo de descentralização cultural e expansão da cena literária no interior do estado. “Nesse contexto, a literatura deixa de ocupar apenas o espaço da leitura silenciosa para se tornar experiência compartilhada, sensorial e acessível, aproximando novos públicos e tensionando formatos tradicionais de circulação — especialmente em segmentos como a poesia”, diz Julia Skinovsky, produtora fonográfica, também responsável pela narração e revisão.
Assinado por Wannie Ramos, compositora baiana, multi-instrumentista, radicada em São Francisco Xavier, cuja trajetória transita entre a música e a experimentação artística, o livro integra uma série de cinco manuscritos estilo diário de bordo de sua itinerância pelo mundo. O título faz alusão ao último capítulo, que remete à liberdade, já que todos levam à frente a palavra “Diário”, além de brincar com pronomes de gêneros e a palavra “teta”, ponte fonética que remete a um símbolo tão feminino. O livro se aproxima de uma composição sensível, em forma de poesia concreta. “O título, o design e as experimentações sensoriais ampliam o contato com este formato, em que a palavra é tratada como objeto, e formam assim uma alternativa, um chamado a libertar-se um pouco das telas e da mente”, sintetiza a autora.
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Liberte-ta
Lançamento com leitura poética e escuta do audiobook
23 de maio (sábado), às 15h
Parque Vicentina Aranha
GratuitoLeitura poética com projeção do vídeo-livro em Libras
24 de maio (sexta-feira), às 16h
Cine Santana
GratuitoOficina de poesia concreta
6 de junho (sexta-feira), entre 10h e 12h – Classificação acima de 12 anos
Biblioteca Solidária – São Francisco Xavier
Gratuito














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