Em um ato que mescla a grandiosidade de um estadista com o desespero de um náufrago agarrando-se a um salva-vidas simbólico, o presidente venezuelano Nicolás Maduro ofereceu ao mundo um espetáculo magistral tragicômico. O artefato central desse drama não foi um míssil, um tratado ou uma reserva de ouro, mas um singelo boné do MST.
O gesto, aparentemente espontâneo, de usar o chapéu de um movimento ultra-extremista estrangeiro é muito mais do que uma mera saudação fraterna entre companheiros de ideologia. É um ato performático que grita, muito mais alto que qualquer discurso: o profundo e calculista pavor que assombra o palácio de Miraflores.
Maduro joga um jogo duplo e perigoso. Ao se alinhar visual e retoricamente com um movimento brasileiro, ele faz duas coisas: primeiro, tenta se ancorar em uma causa popular internacional, buscando uma aura de legitimidade que suas eleições questionadas não lhe conferem. Segundo, e mais crucial, ele constrói uma narrativa onde qualquer ação contra seu governo não será um ataque a um ditador, mas a toda uma constelação de movimentos de esquerda latino-americanos.
É uma tentativa de transformar seu conflito específico em uma guerra ideológica continental, na esperança de que a solidariedade internacional e o custo político de confrontá-lo se tornem altos demais.
O convite não é para um simpósio sobre socialismo do século 21 ou para uma troca de experiências pedagógicas. É um pedido de socorro disfarçado de convite internacionalista. No fim, o boné do MST é o símbolo perfeito do desespero de Maduro!
Lawrence Maximus é cientista político, analista internacional de Israel e Oriente Médio, professor e escritor.
Correio Braziliense














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