Apesar do cenário econômico negativo vislumbrado para o setor, Raquel Rolnik vê um efeito positivo na possibilidade de uma diminuição do impacto do carbono
As tarifas impostas pelo presidente norte-americano Donald Trump afetam a economia dos países como um todo e o setor da construção civil não é exceção. Os EUA devem sofrer, por exemplo, com o aumento do preço dos materiais e dos insumos do setor, como o aço, o ferro e o cimento, os quais o país importa. Além disso, segundo a professora Raquel Rolnik, calcula-se que 30% da mão de obra da indústria da construção civil norte-americana seja composta de imigrantes que, no momento, como se sabe, sofrem as consequências de uma política de deportação em massa, o que deve refletir em aumento no preço da contratação desses trabalhadores. Com a possível elevação da inflação e dos juros na economia americana, a expectativa é de crédito mais restrito. “Está se prevendo ali um cenário bastante recessivo, um aumento do preço da habitação e uma dificuldade muito maior de acesso à moradia por parte dos norte-americanos, o que já vai agravar uma situação que não está nada confortável lá”, adverte a professora.
Aqui no Brasil, a expectativa – até por conta do fantasma de uma recessão mundial – é de uma inibição dos investimentos na indústria da construção civil. Teme-se também, no cenário interno, um aumento no preço de insumos como o alumínio e o aço, o que deve causar impactos no setor. “A pergunta que não quer calar é: qual é a resposta que o setor vai dar? O movimento de transformação da própria indústria da construção na direção da diminuição do impacto do carbono pode ter um efeito de aceleração. Eu diria que isso seria um efeito positivo desse modelo todo, porque na hora que o “modelão” hegemônico do produto imobiliário, que é 100% dependente de uma cadeia que tem uma pegada de carbono muito alta, na hora que isso entra em crise, aqueles materiais alternativos, aquelas pequenas indústrias que estão produzindo alguma outra coisa, podem, de repente, aumentar e ter um grande nicho de mercado”, diz Raquel Rolnik. “Eu vejo nisso uma oportunidade, uma oportunidade que é uma luzinha bem pequenininha lá no fim do túnel, mas sem dúvida é um momento, esses momentos de reorganização são momentos em que isso pode acontecer.”
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