Giselle Beiguelman destaca o fato de o Brasil estar em quarto lugar entre os dez principais países em número de usuários do ChatGPT, atrás da Índia, Estados Unidos e Indonésia
A Bond, uma empresa internacional de investimentos em tecnologia, acaba de publicar um abrangente relatório sobre tendências de IA, o qual traz alguns dados bastante interessantes para refletirmos sobre o impacto social e geopolítico da IA, diz a professora Giselle Beiguelman logo no início da sua coluna, para depois entrar em detalhes: “O relatório mostra não só o crescimento no número de usuários do ChatGPT, que num período curtíssimo de 17 meses chegou a 800 milhões de usuários, mas mostra – e isso foi o que me chamou muito a atenção – a forma como esses usuários estão distribuídos e as formas de utilização e distribuição desse uso via aplicativo para celular”.
Giselle Beiguelman prossegue, informando, que, entre os dez principais, o Brasil, é o quarto país com maior número de usuários e aparece quase empatado com a Indonésia, o terceiro em número de usuários. O primeiro é a Índia, que concentra 13,5 % dos usuários de ChatGPT via aplicativo, seguido dos EUA, com 9%, depois Indonésia e Brasil. “Ou seja, entre os dez maiores “consumidores” do ChatGPT via aplicativo móvel, sete são do chamado Sul Global, com destaque significativo no que tange a países asiáticos (Índia, Indonésia, Paquistão, Vietnã), além do Brasil e do México. Isso mostra que a internet do Sul Global é essencialmente a dos dispositivos móveis, os celulares sobretudo; isso é importante porque 60% do tráfego (sessões ou acessos) ao ChatGPT são feitos atualmente via dispositivos móveis em escala global.”
A colunista faz então uma última consideração: “Se isso aponta, por um lado, para o forte potencial de democratização dessas tecnologias, enunciando uma redução gradual do abismo tecnológico global e uma distribuição mais equitativa das ferramentas digitais, aponta também para problemas que tendem a se aprofundar, como o risco de dependência excessiva em plataformas tecnológicas controladas pelo Norte Global e o apagamento sistemático de narrativas não hegemônicas, reproduzindo preconceitos e vieses embarcados nos modelos de inteligência artificial, produzidos em contextos culturalmente distintos dos nossos”. O relatório está disponível em https://www.bondcap.com/.
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