Para Machado de Assis, ´´a palavra escrita na imprensa, a palavra falada na tribuna, a palavra dramatizada no teatro, produziu sempre uma transformação. É o grande ´´fiat“ de todos os tempos.“
No Brasil, durante os governos autoritários, não faltou censura à imprensa, a livros, à livre expressão das pessoas de um modo geral. O simples questionamento do ´´status quo“ , ou algo equivalente, já era considerado subversão.
Na Europa Ocidental, a transição de uma sociedade oral para uma sociedade letrada só começou na Idade Média, e mesmo assim como privilégio exclusivo do clero e da nobreza. A inclusão do restante da população ocorreu gradativamente com o advento da prensa de Gutemberg.

Porém, tudo o que é novidade provoca reações, a favor ou contra. A novidade, na cabeça de alguns ou muitos, é entendida como ameaça, por seu potencial transformador. A preocupação era com o risco de que os jovens lessem demais. Isso poderia influenciar-lhes a forma de pensar, tornando-os seres questionadores. Hoje em dia, paradoxalmente, pais e professores lastimam o pouco apreço dos jovens pela leitura.
Apesar da evolução da sociedade ocidental, ainda se percebe uma preocupação com o poder transformador da leitura. Isso é comum em sociedades mais conservadoras e autoritárias.
As reações às formas de conservadorismo autoritário também não deixam de ser contraditórias. Assim é que vários dos governos ditos revolucionários instituíram programas de alfabetização massiva, porém, tempos depois passaram a censurar e proibir livros, encarcerar escritores e usar a literatura apenas como propaganda política.
Mesmo entre ideologias antagônicas, a leitura será, igualmente, uma ameaça, pela sua capacidade de aguçar o senso crítico das pessoas e abrir-lhes novas visões de mundo. A palavra tem esse poder.
Por Gilberto Silos














Realmente, o poder da palavra fica claro na forma em que ela é temida por aqueles que buscam o monopólio do poder. A censura inclusive é extremamente perigosa e sorrateira, pois muitas vezes consegue defensores entre aqueles que atacam qualquer tipo de literatura que os deixem desconfortáveis por conta do pensamento critico ou quebra de padrões.
Ótima reflexão!