¨E então...¨

    O Bônus e o Ônus da Longevidade

    A palavra longevidade é simpática pela própria natureza. No caso do povo brasileiro, os dados a respeito mostram uma evolução no decurso dos tempos.  

    A longevidade depende da combinação de uma série de fatores positivos e isso representa um mérito. Consiste em políticas públicas nas áreas da educação, saúde, segurança, assistência social e infraestrutura urbana. 

    A série histórica do IBGE, registrada em 2024, trouxe notícias auspiciosas sobre a longevidade em nosso país. A expectativa de vida do brasileiro agora é de 76,6 anos, sendo 79,9 para as mulheres e 73,3 para os homens. 

    Sobretudo ações preventivas em saúde têm papel relevante nesse processo de longevidade progressiva. 

    Com todas as dificuldades que o Brasil enfrenta, houve avanços. Poderia ser melhor? Talvez sim. Alguns problemas como a desigualdade social, por exemplo, impedem a conquista de um resultado melhor. A desigualdade social, porém, é causada por uma série de outros fatores que, ao longo de décadas, ainda não conseguimos superar. Isso explica por que nosso IDH – Índice de Desenvolvimento Humano, cresce lentamente. Numa escala de 0 a 1 nosso IDH é de 0,786, considerado alto, mas abaixo de países vizinhos como Chile, Uruguai e Argentina. 

    Nossa festejada longevidade, entretanto, também demandará por ajustes em nosso sistema previdenciário. Isso vai exigir uma nova reforma. 

    À medida que às pessoas vivem mais, acabam por receber suas aposentadorias por um período mais longo.  Por outro lado, a taxa de natalidade está decrescendo segundo os dados do último Censo. O brasileiro optou por ter menos filhos. Isso no decurso do tempo reduz a disponibilidade de mão de obra contribuindo para a Previdência. O rombo no sistema previdenciário, que hoje já é preocupante, num futuro próximo tende a assumir proporções alarmantes. Sem uma reforma a prazo curto há o risco sério de um colapso financeiro na Previdência. Esse é um dos ônus da longevidade. 

    O futuro governo não poderá omitir-se em relação à Previdência, ainda que isso implique em custos políticos. 

    Por Gilberto Silos 

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