Donald Trump jogou no lixo a tradição de bom entendimento entre Brasil e Estados Unidos. Sempre houve respeito às posições do outro, mesmo quando antagônicas. O Brasil, de um dia para outro, passou a ser o país mais atingido pelas tarifas impostas pelo bronzeado presidente dos Estados Unidos
A Segunda Guerra Mundial, quando o governo de Washington percebeu que os nazistas poderiam vencer o combate no norte da África e avançar para invadir o nordeste brasileiro, restaram três opções para proteger o Atlântico sul: mandar tropas para o nordeste do Brasil, fomentar uma revolução nacionalista como foi realizada no Panamá ou fazer um acordo com o governo Vargas. A solução do presidente Roosevelt foi fazer acordo com o governo brasileiro. A empresa Pan American foi encarregada de construir aeroportos no norte e nordeste brasileiro. A base aérea de Natal foi a maior das forças armadas norte-americanas fora de seu território antes da invasão da Europa.
Donald Trump jogou no lixo a tradição de bom entendimento entre Brasil e Estados Unidos. Sempre houve respeito às posições do outro, mesmo quando antagônicas. O Brasil, de um dia para outro, passou a ser o país mais atingido pelas tarifas impostas pelo bronzeado presidente dos Estados Unidos. E pior que em nome de um problema político: ele defende, com argumentos confusos, a permanência de Jair Bolsonaro na política brasileira, que estaria sendo injustamente punido numa suposta caça às bruxas.
Os bolsonaristas, de todos os tamanhos e quilates, vão pagar um preço muito elevado pela ação destrambelhada do presidente dos Estados Unidos. Neles vai pegar, com facilidade, o rótulo de entreguistas por terem fomentado a cizânia entre os dois países e prejudicado fortemente a economia nacional. Isso significa prejuízos financeiros e desemprego em larga escala. O agronegócio brasileiro será fortemente punido pela ação de seus principais líderes. Não há desculpa para quem, no exterior, se une ao agressor em prejuízo dos nacionais. É uma traição pesada.
A imposição de tarifas deveria ter uma justificativa econômica. No caso do Brasil, não possui. É apenas um capricho do presidente bronzeado que tenta proteger um candidato que perdeu as eleições e planejou um golpe de Estado que incluía o assassinato do atual presidente da República. Haverá outros capítulos dessa densa novela, porque Trump avança e recua com facilidade. Age por cima da sua diplomacia, não ouve os conselhos do Departamento de Estado e ignora os embaixadores. Ele é a nova versão do Rei Luiz XIV, da França: “O Estado sou eu”.
ANDRÉ GUSTAVO STUMPF, jornalista
Correio Braziliense














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