O Transtorno do Déficit de Atenção (TDA), frequentemente descrito na literatura como um subtipo dentro do espectro do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), é caracterizado principalmente por dificuldades persistentes de atenção, organização e autorregulação cognitiva. Diferentemente do TDAH com hiperatividade, o TDA apresenta um quadro mais silencioso, o que favorece a subnotificação e o diagnóstico tardio, especialmente durante a infância.
O TDA é um transtorno do neurodesenvolvimento reconhecido pelos manuais diagnósticos internacionais e está associado a disfunções nos circuitos dopaminérgicos responsáveis pela atenção sustentada e pelo gerenciamento de funções executivas. Apesar disso, por não apresentar, na maioria dos casos, manifestações motoras intensas ou comportamentos disruptivos, ele frequentemente passa despercebido ou é interpretado como timidez, distração, preguiça ou desinteresse pelas atividades.
A invisibilidade social desse transtorno resulta em atrasos no diagnóstico, afetando o desenvolvimento acadêmico, emocional e social da criança, muitas vezes até a vida adulta.
Sintomas Característicos do TDA:
• Atenção
• Funções Executivas
• Regulação Emocional.
A identificação do TDA em crianças exige olhar clínico atento, observação contínua e escuta qualificada. Alguns sinais precoces incluem:
•Dificuldade em seguir sequências (como montar blocos, quebra-cabeças ou organizar o material escolar).
•Aparente distração durante conversas, com necessidade de repetição frequente das instruções.
•Afinidade por atividades de curta duração, abandonando rapidamente tarefas mais longas ou que exigem concentração.
•Rendimento escolar irregular, mesmo em crianças com alto potencial intelectual.
•Comportamento considerado “quieto”, “no mundo da lua” ou “pensativo demais”.
O TDA camufla-se principalmente por três motivos:
• Ausência de Hiperatividade
• Adaptação Social
• Interpretações Comportamentais Equivocadas
“Ninguém percebeu, mas era TDA” é uma frase que ecoa em inúmeros relatos de adolescentes e adultos que cresceram internalizando a ideia de incapacidade ou inadequação. A camuflagem silenciosa desse transtorno não o torna menos impactante. Ao contrário, a ausência de reconhecimento adequado pode intensificar prejuízos acadêmicos, emocionais e sociais ao longo da vida.
A identificação precoce, aliada à intervenção multidisciplinar (neurologia, psicologia, pedagogia e, quando indicado, terapia medicamentosa), permite o desenvolvimento de estratégias de autorregulação, organização e fortalecimento da autoestima, promovendo uma trajetória mais consciente e saudável.
Dra Pollyana Vieira
Neurocientista Especialista em Comportamento e Desenvolvimento Humano
SBNeC n° 16557/21
Psicanalista
Analista do Comportamento – ABA
Neurocientista Especialista em Comportamento e Desenvolvimento Humano
SBNeC n° 16557/21
Psicanalista
Analista do Comportamento – ABA














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