Referência na formação de capoeiristas e novos mestres, representa essa expressão cultural e o Brasil
O mestre de capoeira Lobão, como é conhecido Everaldo Bispo de Souza, recebeu o título de Cidadão Joseense em cerimônia na Câmara nesta sexta (15). O homenageado entrou no plenário ao som de um cortejo de berimbaus.
A iniciativa da homenagem foi da vereadora Juliana Fraga (PT), autora do decreto legislativo 4/25, em reconhecimento aos mais de 50 anos dedicados ao ensino da capoeira e preservação dessa expressão cultural afro-brasileira que mistura luta e arte.
A parlamentar relembrou a trajetória do baiano de Itabuna, um dos fundadores da primeira academia de Capoeira do Vale do Paraíba em São José dos Campos em 1971, a Besouro Mangangá. “Formou atletas, inspirou crianças e jovens, recebeu prêmios, é técnico da delegação da cidade nos Jogos Regionais e Abertos. É um mestre no sentido mais profundo da palavra, que ensina com o exemplo, conduz com respeito e transforma com olhar humano”.
Mestres de outros grupos e cidades, familiares e amigos de infância (quando seu apelido era Pelé) gravaram depoimentos em vídeo, exibidos durante a solenidade, em que reforçam o merecimento da honraria. Em um deles, seu irmão Dan Eriko Lobão salientou a elegância, agilidade e determinação no aperfeiçoamento dos movimentos.
O ex-aluno Lucas Gargione Cardoso leu uma carta escrita especialmente para a ocasião por seu avô, o professor Baptista Gargione Filho. A mensagem enaltecia a importância da capoeira na formação de jovens e fazia menção à época em que era reitor da Univap e inseriu a capoeira como disciplina no curso de Educação Física e no colégio Univap.

Mestre Sidney, também ex-aluno e amigo, falou da cordialidade na maneira de tratar a todos e o privilégio para a cidade ter o mestre Lobão, referência nacional, internacional e formador de outros mestres capoeiristas.
O presidente da Liga Municipal de Capoeira, Luís Alberto Móia, descreveu o homenageado como um educador pioneiro que ajudou a escrever a história cultural de São José dos Campos com sua arte e muito trabalho. E o agradeceu por cada roda de capoeira ao longo dessas 5 décadas.
Esdras Magalhães Filho, fundador da Academia Besouro Mangangá, afirmou o orgulho que sente do mestre que considera um irmão e se tornou “uma instituição”. Maria da Graça Buttignol Travesso, ex-aluna, amiga há 45 anos e sócia-fundadora da Associação Besouro Mangangá, destacou a sabedoria de seus conselhos e a capacidade de desenvolver todo o potencial dos alunos.
A filha Mônica Cardoso disse que é uma honra carregar o legado de alguém que transformou tantas vidas. O amigo e ex-aluno mestre Zé Carlos (Tinta Forte), agradeceu o privilégio de ter aprendido a jogar capoeira com Lobão e Esdras; parabenizou e manifestou seu respeito pelo trabalho do homenageado.
A professora, historiadora e capoeirista Zuleika Stefânia Sabino Roque afirmou que Lobão é seu maior incentivador e lembrou que a capoeira é patrimônio cultural imaterial do Brasil e da humanidade.
Ao receber a honraria, o mais novo cidadão joseense disse que a capoeira é sua vida e contou como veio para a cidade. Há 54 anos, recebeu o convite de Esdras Filho, que conheceu em São Paulo e estava inaugurando uma academia em São José dos Campos com seu pai, o tenente da Aeronáutica Esdras Magalhães – mestre Damião. Falou do carinho por essa família que o acolheu como filho. Agradeceu a todos que confiaram no seu trabalho e concluiu: “Tudo o que eu tenho e fiz foi pela capoeira; estudei educação física, atuei no cinema (em 3 filmes), sempre pensando no crescimento da capoeira.”














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