Saúde

    Médica especialista reforça os riscos do consumo de remédios sem orientação médica

    Embora muitas vezes tratada com naturalidade, a prática de tomar medicamentos por conta própria ainda preocupa médicos e autoridades de saúde em todo o Brasil.

    A automedicação pode causar sérias complicações, desde reações adversas até o agravamento de doenças não diagnosticadas corretamente.

    Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que uma em cada dez internações hospitalares no Brasil está relacionada a reações provocadas por medicamentos, muitas vezes utilizados sem prescrição ou orientação profissional.

    Antibióticos, anti-inflamatórios, analgésicos e até xaropes para tosse estão entre os mais consumidos de forma indiscriminada.

    Perigoso

    A otorrinolaringologista e membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL CCF), Dra. Roberta Pilla, explica que esse comportamento pode ser perigoso.

    “É comum vermos pacientes que tomam medicamentos por conta própria achando que estão tratando uma doença, quando na verdade estão mascarando sintomas mais sérios, o que atrasa, muitas vezes, alguns diagnósticos. E isso pode fazer interferências em medicações e causar reações alérgicas de hipersensibilidade e intoxicação. Um outro exemplo deste risco é o uso indevido de antibióticos que pode ocasionar o desenvolvimento de bactérias resistentes, piorando o quadro do paciente “, explica a especialista.

    Essa tendência de evitar a consulta médica e recorrer a medicamentos por conta própria foi evidenciada em uma pesquisa realizada entre agosto e setembro de 2024 pela Vital Strategies e pela Umane, com apoio técnico da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e colaboração do Instituto Devive e da organização Resolve to Save Lives.

    O estudo mostrou que 62% dos brasileiros que precisaram de atendimento médico na atenção primária no último ano não buscaram o serviço, sendo que 35,1% deles relataram ter se automedicado.

    “De maneira geral, a desinformação da população pode acarretar na piora de muitas doenças e, até mesmo, na cronicidade delas, o que pode ser evitado se eliminarmos a cultura da automedicação. Isso é possível por meio da informação correta propagada não apenas por nós profissionais de saúde, como por educadores, imprensa, entre outros”, defende Dra Roberta.

    Indicação de amigos

    Nesse sentido, a especialista  reforça  que a principal forma de prevenção é a informação. “Antes de tomar qualquer medicamento, é fundamental procurar um profissional de saúde. A prática do ‘remedinho conhecido’ ou a indicação de amigos e parentes, ou na farmácia  pode parecer inofensiva, mas traz riscos reais”, enfatiza a médica .

    Assim, é fundamental entender que a automedicação é um risco real. Além de comprometer a saúde individual, ela pressiona o sistema de saúde com internações evitáveis. Por isso, buscar orientação profissional é essencial para proteger toda a sociedade.

    Deixe um comentário

    Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

    Artigos Recentes

    Categorias

    Artigos relacionados

    Saúde

    SJC: Profissionais da saúde recebem vacina contra dengue

    A Prefeitura de São José dos Campos inicia, nesta terça-feira (10), a...

    Saúde

    Covid-19 mata 29 pessoas em janeiro no Brasil

    Principais vítimas foram homens com mais de 65 anos Ao menos 29...

    Saúde

    Casos de câncer de pele passam de 72 mil no Brasil

    Doença cresce em todo o país e falta de acesso a dermatologistas...

    Saúde

    AVC e infarto: estudo aponta que 99% dos casos estão ligados a estes 4 fatores de risco

    O estudo realizado identificou quais são os principais vilões da saúde cardiovascular...