Saúde

    Lúpus: por que a doença é mais comum em mulheres jovens do que em homens?

    O Dia Mundial do Lúpus foi instituído em 10 de maio, com o intuito de conscientizar a população sobre as especificidades dessa doença inflamatória crônica autoimune.

    Uma das características do quadro é ser mais comum em mulheres em idade reprodutiva do que em homens no geral.

    A estimativa é que o lúpus afete dez mulheres a cada homem, principalmente na faixa etária de 15 a 45 anos, segundo a reumatologista Nafice Costa Araújo, responsável pela enfermaria e ambulatório de Doenças Difusas do Tecido Conectivo do Serviço de Reumatologia do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo, com ênfase em lúpus eritematoso sistêmico (LES), esclerose sistêmica e miopatias inflamatórias imunomediadas.

    A discrepância entre os gêneros se deve a uma soma de fatores genéticos, ambientais e principalmente hormonais.

    Os altos níveis de estrógeno, especialmente quando a mulher está na fase reprodutiva, estimulam a produção de células imunes, como macrófagos e linfócitos.

    “Os autoanticorpos são dirigidos contra várias proteínas celulares do próprio corpo, resultando em inflamação e disfunção do órgão e/ou sistema acometido pelo lúpus”, completa Araújo.

    Para além do fator hormonal feminino, há outros gatilhos do LES que independem do gênero, como a exposição excessiva à luz solar, algumas infecções virais e bacterianas, certos medicamentos, tabagismo e até mesmo o estresse.

    Quais são os sintomas mais comuns do lúpus em mulheres?

    Os sinais da doença inflamatória crônica autoimune nem sempre são tão objetivos e fáceis de associar ao quadro.

    De acordo com a reumatologista Bruna Savioli, do Centro de Doenças Autoimunes da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, o que se observa é que a paciente costuma ser uma mulher jovem com sintomas inespecíficos, como febre baixa, dores articulares, fraqueza e, posteriormente, lesões cutâneas características da doença. “Quase 80% dos pacientes terão essas manifestações na pele”, reforça.

    As marcas cutâneas surgem sobretudo nas regiões em que há contato com a luz solar: rosto, couro cabeludo e no V do decote.

    “Na face é muito comum o eritema malar, popularmente denominado de ‘asa de borboleta’”, detalha Araújo.

    A paciente pode ter ainda úlceras orais pouco dolorosas, incômodo torácico, diminuição das células do sangue levando a anemia e outras condições, e manifestações renais.

    “Quem tem lúpus pode apresentar processo inflamatório em qualquer parte do corpo. Por isso a sua denominação sistêmica,” diz Nafice Costa Araújo, reumatologista.

    A variedade de sintomas associados ao quadro, somado ao paciente não buscar ajuda médica logo de cara, são fatores que contribuem para a doença demorar a ser diagnosticada.

    Como o lúpus é diagnosticado?

    Savioli explica que o principal exame para o diagnóstico do Lúpus é a dosagem do fator antinuclear, o FAN. O teste revela a presença e a quantidade de autoanticorpos, ou seja, anticorpos que o organismo produz contra ele mesmo.

    “A identificação de vários anticorpos específicos associados ao FAN também é fundamental para o diagnóstico da doença”, completa Araújo.

    O lúpus é descoberto também a partir de alterações em exames relacionados a órgãos/sistemas que a doença prejudica. É o caso, por exemplo, dos rins.

    Quais são os tratamentos ouro para o lúpus?

    A intervenção para varia de um paciente para outro, podendo englobar medicamentos anti-inflamatórios, corticoides, antimaláricos, imunossupressores sintéticos e/ou imunobiológicos.

    O que é consenso entre as especialistas é o uso da hidroxicloroquina, a qual deve ser prescrita desde o início do diagnóstico, independentemente da gravidade do quadro.

    “Ela melhora as manifestações ativas da doença e diminui as chances de novas, de complicações e sequelas. O remédio é seguro até mesmo durante a gestação”.

    “Entretanto, para o seu uso contínuo, o paciente precisa de avaliação periódica com oftalmologista”, explica Araújo.

    Os corticoides são importantes para as fases agudas. O ideal é que sejam utilizados na dose mais baixa possível e retirados assim que a inflamação estiver controlada.

    Já os imunossupressores entram para “diminuir a necessidade de corticoides, controlar sintomas que não respondem à hidroxicloroquina e reduzir manifestações sistêmicas moderadas a graves da doença”, completa Araújo.

    Além do tratamento medicamentoso, é preciso que o paciente tenha cuidado redobrado com a exposição solar — aplicando e reaplicando protetor com frequência, dentro e fora de casa. A pessoa deve também estar atenta à atualização do seu calendário vacinal.

    “Todas as vacinas destinadas à paciente, de acordo com a sua idade, devem estar atualizadas e se ela tiver manifestações moderadas a graves da doença. É importante imunizar a paciente como alguém imunossuprimido, porque vamos fazer imunossupressão nesses casos”, detalha Savioli.

    Os prejuízos em não tratar o Lúpus

    Ainda segundo Savioli, o grande desafio de iniciar tardiamente a intervenção contra o lúpus (ou não realizá-la) é que algumas sequelas são irreversíveis.

    As duas especialistas citam principalmente o acometimento renal, em que a rápida evolução da enfermidade leva o paciente à insuficiência renal com necessidade de hemodiálise e até mesmo de transplante.

    Fonte: Marie Claire

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