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    Lula revoga visto de assessor de Trump que visitaria Bolsonaro

    “Eu o proibi de vir ao Brasil”, disse o petista

    O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cancelou o visto diplomático dado ao consultor sênior do Departamento de Estado Darren Beattie, que viria ao país e se reuniria com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele seria enviado pelos Estados Unidos como representante do governo Donald Trump.

    Mais cedo, nesta sexta-feira (13), o presidente Lula disse que ele foi proibido de ingressar no Brasil. O petista se queixou que, no ano passado, autoridades brasileiras tiveram visto revogado e não puderam ir a Nova Iorque, para a Assembleia Geral da ONU, entre elas o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e familiares dele.

    – Aquele cara americano que disse que vinha para cá para visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar. E eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar o visto do meu amigo [ministro] da saúde que está bloqueado. Bloquearam o visto do Padilha, da mulher dele e da filha dele de 10 anos – disse Lula, no Rio.

    Autoridades do governo brasileiro entendem que ele agiu de má-fé e omitiu o real motivo da viagem, e somente depois dos pedidos de mudança de data para visitar Bolsonaro na prisão, submetidos ao Supremo Tribunal Federal (STF), passou a pedir reuniões com o governo brasileiro.

    Convocado a opinar pelo ministro-relator Alexandre de Moraes, o chanceler Mauro Vieira disse que o encontro em ano eleitoral seria uma ingerência indevida em assunto doméstico. Moraes, então, revogou a autorização para a visita na cadeia.

    Segundo disse o Itamaraty ao Supremo, Beattie pediu o visto inicialmente, por meio do Departamento de Estado, junto ao Consulado Geral do Brasil em Washington, e afirmou apenas que iria a um fórum sobre minerais críticos e teria reuniões oficias com o governo brasileiro.

    Segundo a diplomacia brasileira, no entanto, as reuniões não estavam agendadas na época. E, após obter o visto, a defesa de Bolsonaro comunicou oficialmente o desejo de visita ao ex-presidente.

    O Ministério das Relações Exteriores considera que houve omissão e falseamento de informações relevantes por parte de Beattie. Segundo a diplomacia, isso seria o bastante para que o visto fosse negado, de acordo com a legislação nacional e internacional.

    Atualmente consultor para Políticas sobre o Brasil, um cargo novo, Darren Beattie também exerce a função de chefe do Escritório de Assuntos Educacionais e Culturais. Antes, era subsecretário para Diplomacia Pública e fez uma série de críticas a Moraes, acusando-o de violar direitos humanos.

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