Ipojuca Pontes já teve momentos de brilho no cenário artístico brasileiro. Cineasta, escritor, autor e produtor de teatro, seu talento sempre foi reconhecido.
Uma de suas peças mais interessantes é “A MANHA DO BARÃO”. Nela, Ipojuca reconstitui várias passagens da vida do Barão de Itararé.
Quem foi o Barão de Itararé?

Era o pseudônimo de Apparicio Torelly, jornalista e humorista gaúcho que, principalmente na primeira metade do século passado azucrinou a vida dos governantes e políticos com seu humor irreverente e ácido. Para isso, utilizava as páginas de A MANHA, jornal tablóide por ele fundado.
Os principais alvos de suas críticas eram os governos autoritários de sua época. Pagou o preço pela sua coragem e irreverência. Preso pela polícia política de Getúlio Vargas , permaneceu encarcerado durante quase todo o ano de 1936. Na ocasião conviveu com o escritor Graciliano Ramos que mencionou o fato no seu livro “Memórias do Cárcere”.
Apparicio Torelly chegou a eleger-se vereador pela cidade do Rio de Janeiro. Seu lema de campanha era “Mais leite, mais água, mas menos água no leite”.
No início de sua carreira jornalística foi pedir emprego no jornal O Globo. Entrevistado por um dos Marinho, quando lhe perguntado sobre o cargo pretendido, respondeu de pronto: “ De varredor a diretor, até porque não vejo diferença alguma”.
Podemos encontrar uma síntese da trajetória jornalística de Apparicio Torelly no monólogo teatral “A MANHA DO BARÃO”, publicada em forma de livro por Ipojuca Pontes em 2008 (Editora Girafa).
Nessa peça teatral encontramos algumas das tiradas sarcástica do Barão, como:
“A forca é o mais desagradável dos instrumentos de corda.”
“Quando não há grade, o governo agrada.”
“O casamento é uma tragédia em dois atos: no civil e no religioso.”
“Antigamente a Justiça tinha a venda nos olhos. Hoje tem os olhos à venda.”
“Quando o queijo e a goiabada são encontrados na mesa do pobre, desconfie dos três: do queijo, da goiabada e do pobre.”
O cenário político atual seria um prato cheio para as críticas de Apparicio Torelly, que faleceu no Rio de Janeiro em 1971.
Por Gilberto Silos














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