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    Como tarifa de 50% anunciada por Trump impacta o Brasil?

    CNI prevê graves consequências para o país, que tem os EUA como segundo maior parceiro

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, surpreendeu o Brasil ao anunciar, nesta quarta-feira (9), uma tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros, prevista para entrar em vigor a partir do dia 1° de agosto. A medida vai muito além de uma disputa comercial, sendo também uma retaliação direta a decisões políticas, judiciais e até diplomáticas tomadas pelo Brasil nos últimos meses. O que está por trás desse “tarifaço” e como ele pode afetar o seu bolso? O Pleno.News te explica!

    A taxa anunciada pelo republicano se somará às já existentes, e é a mais alta entre todas as impostas por Trump a 22 nações esta semana. Segundo carta enviada pela Casa Branca ao Palácio do Planalto, a decisão foi motivada por diversos fatores, não só econômicos.

    Um deles é a condução de processos judiciais no Brasil contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados. Para o republicano, está em vigor uma “caça às bruxas” contra a direita brasileira, que deve ser encerrada “imediatamente”.

    Outros fatores de insatisfação são medidas do STF que, segundo os EUA, censuram usuários e redes sociais norte-americanas. A decisão da Corte de derrubar parcialmente o Marco Civil da Internet, promovendo uma regulação das redes e a responsabilização de big techs, causou ainda mais mal-estar com o governo estadunidense.

    O efeito BRICS é mais um dos pivôs nesse caso. Os EUA veem com preocupação o estreitamento de laços do Brasil com os países do bloco que inclui Rússia, Irã, China, África do Sul, Índia, Egito, Etiópia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Para o governo Trump, há um sentimento antiocidental e antiamericano no grupo, e as falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre buscar moedas alternativas ao dólar seriam um sinal dessa rivalidade.

    Além disso, o governo dos EUA tem acusado o Brasil de supostas práticas comerciais desleais, com base na Seção 301 da Lei de Comércio do país.

    COMO ESSE TARIFAÇO AFETARÁ O BRASIL?
    O potencial de impacto dessa nova tarifa é bilionário, visto que os Estados Unidos são o segundo parceiro comercial do Brasil. Somente em 2024, o Brasil exportou 40,4 bilhões de dólares para os EUA, o que equivale a R$ 224 bilhões e 12% do total exportado. Nosso país tem déficit comercial com EUA desde 2009.

    Os itens mais vendidos para os estadunidenses são petróleo bruto, minério de ferro, aço, máquinas, aeronaves e produtos eletrônicos, segundo dados do ComexVis do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços). Dessa forma, o setor energético, de tecnologia, a Embraer e a Petrobras devem ser fortemente afetados.

    Já no setor do agronegócio, o açúcar, café, suco de laranja, carne bovina, frango e soja são outros dos principais itens vendidos aos norte-americanos. Para o professor de relações internacionais e economia no Ibmec-SP, consultado pela Agência Brasil, um dos efeitos colaterais será a diminuição de exportações de commodities agrícolas, e aumento de oferta no mercado interno, o que pode derrubar o preço desses produtos no Brasil.

    Mas isso não é motivo para se comemorar, pois a queda na exportação significa menos receita, menos investimento e menos empregos. E sim, o desemprego é um dos fatores que mais preocupa em toda essa situação. Isso porque tendo que arcar com um custo 50% maior por tonelada exportada, as empresas terão que cortar custos para se manter.

    Vale destacar que os EUA são grandes compradores de produtos industrializados brasileiros, e essa cadeia de produção envolve muitos trabalhadores. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o impacto será grave.

    O professor da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), Ecio Costa, disse ao portal Poder360 esperar uma desaceleração econômica, a desvalorização do dólar, o aumento do preço do câmbio e impacto na inflação.

    Diante desse impasse, o Brasil analisa como reagirá. Se responderá taxando os EUA, se recorrerá à OMC (Organização Mundial do Comércio), ou se cederá a pressão e negociará com o país norte-americano.

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