Doença cresce em todo o país e falta de acesso a dermatologistas dificulta o diagnóstico precoce
O câncer de pele disparou no Brasil na última década, com casos saltando de pouco mais de 4 mil em 2014 para mais de 72 mil em 2024, segundo dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Especialistas alertam que o aumento é impulsionado pela maior exposição ao sol, envelhecimento da população e predominância de pessoas de pele clara, e destacam que o diagnóstico precoce é essencial para aumentar as chances de cura.
As regiões Sul e Sudeste concentram as maiores taxas da doença. Em 2024, o Espírito Santo liderou o ranking nacional, com 139 casos por 100 mil habitantes, seguido por Santa Catarina, com 95,65. No Norte, Rondônia registrou 85,11 casos por 100 mil, enquanto outros estados do Norte e Nordeste ainda apresentam números menores, embora em tendência de crescimento. A SBD alerta que estados historicamente com baixa notificação, como Roraima, Acre e Amapá, podem ter números subestimados, mesmo com melhorias recentes na vigilância epidemiológica.
O câncer de pele é a forma mais comum da doença no Brasil e pode se manifestar como manchas, feridas ou pintas que mudam de cor, tamanho ou formato. Entre os tipos mais frequentes estão o carcinoma basocelular, de crescimento lento, o carcinoma espinocelular, que pode se espalhar para linfonodos, e o melanoma, o mais agressivo, responsável pela maioria das mortes.
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A detecção precoce é essencial, pois aumenta significativamente as chances de cura e reduz a necessidade de tratamentos complexos. Fatores como exposição excessiva ao sol, pele clara, histórico familiar e envelhecimento aumentam o risco, e medidas simples, como o uso de protetor solar, roupas de proteção e consultas regulares ao dermatologista, ajudam a prevenir a doença.
O aumento nos diagnósticos ficou mais visível a partir de 2018, quando se tornou obrigatório o registro do Cartão Nacional de Saúde e a classificação internacional de doenças (CID-10) nas biópsias. Apesar disso, pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) enfrentam 2,6 vezes mais dificuldade para consultar um dermatologista do que usuários da rede privada. Essa diferença compromete o diagnóstico precoce e aumenta a necessidade de tratamentos mais complexos.
O volume de consultas dermatológicas no SUS voltou a níveis próximos aos de 2019, após queda durante a pandemia, chegando a quase 4 milhões em 2024. Já na saúde suplementar, o número se manteve duas a três vezes maior, ultrapassando 10 milhões de atendimentos. Além disso, os centros especializados em oncologia dermatológica estão concentrados em poucos estados. São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul abrigam a maioria das unidades de alta complexidade, enquanto Acre, Amazonas e Amapá possuem apenas uma unidade cada, sem Centros de Assistência de Alta Complexidade (Cacons).
Especialistas reforçam que ampliar o acesso a dermatologistas e tratamentos especializados é crucial para reduzir mortes evitáveis e impedir que o câncer de pele se transforme em uma epidemia silenciosa.














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