Aeronaves estão sediadas em base de Anápolis (GO), a 5 minutos de voo da capital federal. Caças entram em ação quase 12 anos depois da assinatura de acordo com suecos
O Brasil começou a usar seus aviões de caça F-39 Gripen para defender Brasília no caso de um ataque.
Na prática, o alerta de defesa aérea no Planalto Central, como é chamada a operação, coloca oficialmente os caças em ação quase 12 anos depois da assinatura de contrato para compra das aeronaves de origem sueca, no fim de 2014.
Atualmente, a FAB (Força Aérea Brasileira) conta com dez Gripen sediados na Base Aérea de Anápolis (GO).
É da cidade goiana, onde fica o 1º GDA (Grupo de Defesa Aérea) Jaguar, que decolarão os caças caso seja necessário.
A zona rural de Anápolis está a apenas cinco minutos de Brasília em voo com Gripen, capaz de atingir 2.400 km/h —aproximadamente duas vezes a velocidade do som.
Inaugurada em 1972 para abrigar os primeiros caças supersônicos a equiparem a FAB, os franceses Dassault Mirage 3, a base foi projetada para proteger o coração do país.
No dia 13 de novembro passado, a Folha acompanhou —pela primeira vez desde a chegada dos Gripen ao país, em 2020 e incorporado à Força Aérea Brasileira em 2022 —todo o processo de preparação do piloto até a decolagem.
Uma 11ª unidade do Gripen está em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, onde a sueca Saab e a Embraer mantêm uma fábrica para montagem de uma versão nacionalizada do caça —o primeiro modelo está previsto para ser apresentado no próximo dia 25 de março, em cerimônia que deverá contar com a cúpula da Aeronáutica e do presidente Lula.
O programa brasileiro prevê 36 Gripen, oito deles com dois lugares —são chamados de E e F, respectivamente.
Pelo cronograma inicial, os caças deveriam estar todos entregues no ano passado, inclusive os 15 previstos para serem produzidos no interior de São Paulo. A previsão atual é de entrega final em 2032.
O novo caça passa a ser usado na defesa aérea de Brasília menos de uma semana depois de a Folha mostrar que o governo pediu às Forças Armadas uma análise da vulnerabilidade de defesa aérea do Brasil após a recente captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.
A aeronave passou por uma fase decisiva de testes que certificou sua capacidade bélica. No último dia 6, por exemplo, a FAB e a Saab realizaram os primeiros lançamentos de bombas com o Gripen em treinamento no Brasil. O exercício foi realizado na Base Aérea de Natal.
No total foram realizadas 15 horas de treinamentos com configurações tanto simétricas quanto assimétricas de lançamentos.
Em novembro passado, a FAB realizou o primeiro lançamento de um míssil pelo seu novo caça. Foi disparado um modelo europeu Meteor, de custo estimado em R$ 12,4 milhões, contra um drone perto da costa do Rio Grande do Norte.
O Meteor é o mais avançado modelo do tipo no mercado, de uma geração mais recente do que os modelos do tipo na América Latina, o AIM-120C americano usado pelo Chile e o R-77 russo, operado por Peru e Venezuela. O Brasil não tinha nada parecido.
Na sequência, no Rio de Janeiro, ocorreram os primeiros disparos com um canhão alemão de 27 mm. No mesmo período também houve o fim da campanha dos testes de reabastecimento em voo pelos cargueiros Embraer KC-390.
“O caça multimissão de última geração é empregado em missões de defesa aérea, ataque ao solo e reconhecimento, reunindo sistemas, sensores e armamentos modernos, elevada disponibilidade e baixo custo operacional”, afirma a FAB, em nota.
O contrato do Brasil para compra dos 36 caças foi estimado na época em US$ 4,5 bilhões (cerca de R$ 23,7 bilhões na cotação atual).














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