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    Autismo em Meninas: A Invisibilidade de um Diagnóstico que Ainda Falha

    Por muito tempo, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) foi associado quase exclusivamente ao universo masculino. Essa visão limitada contribuiu para que milhares de meninas passassem despercebidas pelos sistemas de saúde, educação e até pelas próprias famílias. Hoje, especialistas reconhecem: o autismo em meninas existe, mas ainda é pouco identificado.
    Sinais que Nem Sempre Chamam Atenção
    Diferente do estereótipo amplamente divulgado, muitas meninas autistas não apresentam comportamentos considerados “clássicos”. Pelo contrário, costumam demonstrar habilidades sociais aparentemente adequadas, o que dificulta a suspeita diagnóstica.
    Entre as características mais frequentes estão:
    •Capacidade de imitar comportamentos sociais e “ensaiar” respostas emocionais
    •Interesses intensos, porém vistos como comuns, como livros, arte, animais ou personagens
    •Dificuldade em manter amizades profundas, apesar de parecerem sociáveis
    •Sensibilidade exagerada a sons, cheiros, tecidos ou críticas
    •Cansaço extremo após interações sociais prolongadas
    Esses sinais, muitas vezes, são interpretados apenas como timidez, sensibilidade emocional ou traços da personalidade feminina.
    O Peso da Camuflagem Social
    Um dos principais fatores que dificultam o diagnóstico em meninas é a chamada camuflagem social. Desde cedo, muitas aprendem a observar o comportamento dos outros para se adequar às expectativas sociais. Essa adaptação constante, embora eficaz externamente, gera alto custo emocional.
    A longo prazo, a camuflagem pode levar a crises silenciosas, isolamento, ansiedade e exaustão mental, especialmente na adolescência e na vida adulta.
    Por Que o Diagnóstico Demora?
    A dificuldade diagnóstica envolve fatores estruturais e culturais:
    •Os critérios diagnósticos foram baseados, majoritariamente, em estudos com meninos
    •Profissionais nem sempre estão preparados para reconhecer manifestações femininas do TEA
    •Meninas tendem a internalizar o sofrimento, enquanto meninos o externalizam
    •Há uma expectativa social de que meninas sejam mais adaptáveis e empáticas
    Como consequência, muitas recebem diagnósticos equivocados ao longo da vida, como ansiedade, depressão ou transtornos alimentares, sem que o autismo seja investigado.
    Impactos da Invisibilidade
    O diagnóstico tardio pode gerar consequências profundas. Muitas mulheres autistas relatam crescer com a sensação de não pertencimento, baixa autoestima e dificuldade de entender suas próprias emoções.
    Sem o reconhecimento do TEA, faltam também estratégias adequadas de apoio, o que aumenta o risco de esgotamento emocional e sofrimento psíquico.
    Um Olhar Mais Atento e Humanizado
    Especialistas defendem que o diagnóstico do autismo em meninas precisa ir além da observação superficial do comportamento. É essencial considerar relatos subjetivos, histórico de desenvolvimento, padrões de exaustão social e sofrimento emocional.
    Ampliar o debate sobre o autismo feminino é um passo fundamental para garantir diagnósticos mais justos e intervenções mais eficazes.
    Dar Nome Também é Cuidar
    Identificar o autismo em meninas não é rotular, mas oferecer compreensão, pertencimento e acesso ao cuidado adequado. Tornar visível o que por anos foi silenciado é uma responsabilidade coletiva — da ciência, da sociedade e da comunicação.

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