Internet está há 31 anos no Brasil e os entraves da acessibilidade digital estão longe de acabar. Veja a análise do jornalista e empresário Luis Daniel.
A internet comercial no Brasil completa 31 anos neste mês de maio consolidada. Da entrega ao carro por aplicativo, e mais recentemente a Inteligência Artificial, o celular se tornou um item obrigatório no cotidiano.
No entanto, a hiperdependência desse aparelho escancara um problema estrutural que atinge milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência.
Da agilidade à exclusão
Embora a internet tenha surgido com conceitos de acessibilidade, isso se perdeu ao longo do tempo. As tecnologias ignoraram essa premissa em favor da agilidade.
Enquanto os sites e sistemas ficaram cada vez mais robustos, o que era acessível se afundou sob uma estrutura erguida com paredes quase intransponíveis.
Infraestrutura nativa X execução técnica
Por conta de normas rígidas, sobretudo nos Estados Unidos e Europa, a maior parte dos celulares possui recursos de acessibilidade de forma nativa.
É o caso dos leitores de tela Talkback (Android) e Voice Over (iOS), essenciais para quem tem deficiência visual navegar pelos aplicativos e sites com autonomia.
Mas, ao mesmo tempo, se os desenvolvedores não estiverem atentos às normas de acessibilidade digital da W3C, esses recursos pouco vão adiantar.

O gargalo na gestão do conteúdo
Outro ponto que precisa de atenção é a produção de conteúdo dessas plataformas. Muitas vezes, as condições técnicas estão disponíveis, mas falta rigor na alimentação dos dados da maneira correta. Uma imagem sem descrição ou um botão sem etiqueta transformam a inovação em silêncio.
No contexto da Inteligência Artificial, o risco aumenta: se os dados que alimentam essas novas mentes digitais ignorarem a diversidade funcional, estaremos automatizando a exclusão em escala industrial.
Participação como ativo de mercado
A estrada é de mão única porque a qualidade de um produto digital não aceita mais retrocessos. Se, por um lado, o cenário atual desenha um precipício de isolamento para milhões, por outro, investir em acessibilidade é reduzir ao máximo, de uma só vez, as barreiras para todos os perfis de consumo e interação. Para o tomador de decisão, garantir a participação não é um gesto de benevolência, mas um ativo de sustentabilidade. Afinal, em uma economia movida por dados e conexões, construir pontes onde antes existiam paredes é o único caminho para a relevância.
Até a próxima,
Luis Daniel
Consultor especialista em acessibilidade














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