Semanalmente passam pela rua de minha casa uma quantidade enorme de pessoas em direção à cidade de Aparecida. A avenida onde resido é entrada secundaria de Campos do Jordão, vindo de Minas Gerais.
Quando passam pela avenida, muitos desses romeiros ou peregrinos, estarão cumprindo a última etapa da caminhada que começa centenas de quilômetros antes, seguindo roteiro que sai de Tambaú ou de Águas da Prata.
Alguns trafegam de bicicletas, de motos e até a cavalo, mas a grande maioria segue caminhando, acompanhando as indicações das estradas e ruas, saindo do lugarejo denominado Luminosa, no município de Piranguinho e depois escolhem dois caminhos: pela estrada de São Francisco dos Campos do Jordão, atravessando altitudes que passam de 1.900m descendo pela estrada que leva às Pedrinhas, inteiramente de terra e bastante íngreme, no município de Guaratinguetá, vizinho de Aparecida. Ou, descendo pela Rodovia Floriano Rodrigues Pinheiro, até o trevo de Santo Antônio do Pinhal, seguindo depois pelo leito da Estrada de Ferro Campos do Jordão, no município de Pindamonhangaba, acessando o santuário por rodovias asfaltadas.
Geralmente puxo conversa para matar minha curiosidade da origem da caminhada e, algumas vezes, para conhecer a razão de tão pesado sacrifício.
Nos últimos dias os peregrinos passaram cantando hinos e orando, como poucos fazem, e a justificativa deles, quando arguidos sobre a razão da caminhada, se referia a passar a Semana Santa e o dia de Páscoa “na casa da Mãe” e pagar alguma promessa.
Uma senhora assegurou que iria se encontrar com a família para o almoço de Páscoa em Aparecida uma vez que a data deve ser preservada em família, com filhos e netos. Assim quer o Senhor. Vamos comemorar a ressurreição do filho de Deus.
Onde estávamos que confundimos a essência e a principal razão das comemorações da Páscoa, conforme era respeitada pelos judeus, muito antes do nascimento de Jesus?
As celebrações que têm raízes no judaísmo, foram absorvidas pelo mundo cristão e deturpadas até se transformarem na atual Páscoa, com coelhinhos, ovos de chocolate, em uma festa que quase não guarda relação com as genuínas.
A origem começa na fuga do Egito, e a Bíblia nos conta que as comemorações se referem a decisão de Deus em tirar o seu povo de onde estava a séculos, subjugado pelos inimigos a mais de 400 anos, tanto que quase todos já haviam perdido o sentido de LIBERDADE, em razão do regime a que haviam sido submetidos. Era chamada a Festa dos Pães Asmos.
O Senhor enviou a décima e última praga sobre o Egito, determinando a morte de todos os primogênitos. Para preservar os israelitas, Deus instruiu para sacrificarem um cordeiro e pintar as portas usando o sangue. Naquela noite o “Anjo da Morte” (destruidor), quando visse o sangue, “passaria por cima” (de onde advém o nome Páscoa, Pessach ou do inglês passover – significando pular ou passar por cima), o que não permitiria que o destruidor entrasse para matar os primogênitos dos hebreus.
Esta foi a razão de Jesus se reunir com seus apóstolos pela última vez, avisando que brevemente iria deixá-los, mas recomendou que todas as vezes que celebrassem a Páscoa o fizessem em memória do filho de Deus e da libertação que Jesus proporcionou ao homem com seu amor.
Os sacerdotes tinham receio que o povo se revoltasse e, por isso, aceleraram a prisão do Mestre para evitar a coincidência com as festividades comemorativas da saída do Egito.
Os cristãos de aproveitaram disto para alterar o significado verdadeiro da Páscoa.
Os séculos passaram e transformamos a Páscoa em coelhos e ovinhos de chocolate, apagando a dimensão espiritual e experiência religiosa que Deus nos ofereceu que valoriza amar e se sentir amado, seguindo o exemplo do Mestre, sem perder o significado maior que a Páscoa deixa nos corações de todos os cristãos.
Paulo de Tarso Moreira Marques














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