Esportes

    Os fatores que pesaram na queda de Dorival do Corinthians

    Sessenta e quatro dias depois de vencer a Supercopa Rei, Dorival Júnior já não é mais o técnico do Corinthians. Além do título conquistado diante do Flamengo, em Brasília, o treinador também ergueu o troféu da Copa do Brasil, em dezembro, após vitória sobre o Vasco no Maracanã. As taças recolocaram o time paulista na prateleira de campeões nacionais após quase uma década.

    Apesar dos títulos, a diretoria do Corinthians optou pelo desligamento de Dorival Júnior após a derrota para o Internacional, por 1 a 0, neste domingo, em jogo válido pelo Brasileirão. O revés em casa, na Neo Química Arena, foi a gota d’água para a saída do treinador, que estava pressionado no cargo. Veja abaixo os motivos que levaram à demissão de Dorival.

    SEQUÊNCIA NEGATIVA

    Com a derrota para o Inter, o Corinthians chegou a nove partidas consecutivas sem vitória na temporada. O time alvinegro não sabe o que é vencer desde o dia 19 de fevereiro, quando a equipe derrotou o Athletico Paranaense, em Curitiba, por 1 a 0, em partida do Campeonato Brasileiro.

    De lá para cá, foram cinco empates e quatro derrotas, incluindo a eliminação nas semifinais do Paulistão para o Novorizontino.

    – 22/02 – Portuguesa 1 x 1 Corinthians (Paulistão)

    – 28/02 – Novorizontino 0 x 1 Corinthians (Paulistão)

    – 11/03 – Corinthians 0 x 2 Coritiba – Brasileirão

    – 15/03 – Santos 1 x 1 Corinthians – Brasileirão

    – 19/03 – Chapecoense 0 x 0 Corinthians- Brasileirão

    – 22/03 – Corinthians 1 x 1 Flamengo – Brasileirão

    – 01/04 – Fluminense 1 x 3 Corinthians – Brasileirão

    – 05/04 – Corinthians 0 x 1 Internacional – Brasileirão

    DESEMPENHO RUIM

    Para além dos resultados ruins, o Corinthians já não conseguia apresentar um bom futebol do ponto de vista coletivo. A falta de um padrão claro de jogo ficou escancarada na derrota para o Fluminense, no Maracanã, onde o time teve sérios problemas na recomposição defensiva e demonstrou falta de organização e agressividade para atacar. A equipe foi presa fácil para o tricolor carioca e fez um de seus piores jogos em 2026.

    Nas derrotas em casa para Coritiba e Inter, jogando em casa, onde deveria adotar o papel de protagonista, o Corinthians careceu de criatividade para ligar o meio-campo ao ataque e sofreu com erros técnicos dos jogadores na hora da finalização. Descoordenado, deu brechas atrás e viu o adversário ser letal para alcançar a vitória em Itaquera.

    Os desempenhos nos jogos citados diferem bastante da atuação, por exemplo, contra o Flamengo na decisão da Supercopa Rei. Na partida em Brasília, o Corinthians foi aplicado na marcação e demonstrou capacidade de transitar rapidamente entre ataque e defesa com consistência.

    ‘DECISÕES’ À VISTA

    A demissão de Dorival acontece às vésperas de jogos importantes do Corinthians na temporada. Na quinta-feira, 9, o time alvinegro estreia na Copa Libertadores contra o Platense, na Argentina. No domingo, 12, faz clássico com o Palmeiras, em Itaquera, pelo Brasileirão, e na quarta-feira, 15, encara o Santa Fe, em casa, também pelo torneio continental.

    Como as derrotas poderiam ampliar ainda mais a crise no Corinthians, a diretoria entendeu que uma mudança no comando técnico era necessária para dar uma “chacoalhada” no elenco.

    PRESSÃO DA TORCIDA

    “Não é mole não/Tem que ser homem para jogar no Coringão”. Esta foi a frase entoada pela torcida do Corinthians após a derrota para o Inter. Antes do revés para a equipe gaúcha, a Gaviões da Fiel, principal organizada do time alvinegro, compareceu ao CT Joaquim Grava para cobrar jogadores, treinador e diretoria. A uniformizada exigiu uma melhora no desempenho do time já no jogo deste domingo – o que acabou não acontecendo.

    Na ocasião, a Gaviões pediu explicações sobre algumas escalações e alterações de Dorival, que explicou o seu lado. Cabe ressaltar que o treinador sofreu com importantes baixas por lesão no período em que ficou sem vitória, como Yuri Alberto e Memphis Depay.

    PEDIDOS POR MUDANÇA

    A demissão de Dorival Júnior não chega a ser surpresa. Internamente, conselheiros já pressionavam o presidente Osmar Stábile desde a derrota para o Coritiba. A ideia era aproveitar a Data Fifa para o novo treinador conhecer o elenco. A diretoria, por outro lado, relutava em tirar o treinador pela falta de opções no mercado. Agora, a cúpula alvinegra quer definir o próximo treinador já para o duelo com o Platense. Nomes livres no mercado, como Tite e Fernando Diniz, estão em pauta.

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