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    Saúde mental: primeiros sinais, prevenção e o papel da atividade física na qualidade de vida

    A saúde mental é um dos pilares fundamentais do bem-estar humano e influencia diretamente a forma como pensamos, sentimos, agimos e nos relacionamos. Apesar de sua relevância, ainda é comum que os primeiros sinais de adoecimento psíquico sejam negligenciados, seja por desconhecimento, estigma ou pela falsa ideia de que “vai passar sozinho”. No entanto, cuidar da saúde mental de forma preventiva é essencial para a manutenção da qualidade de vida, do desempenho profissional e da construção de relações saudáveis.
    Primeiros sinais de alerta em saúde mental
    Os primeiros sinais de sofrimento mental nem sempre são intensos ou evidentes. Muitas vezes, surgem de forma sutil e progressiva, sendo confundidos com cansaço ou estresse cotidiano. Entre os principais sinais iniciais, destacam-se:
    •Alterações persistentes de humor, como irritabilidade, tristeza frequente ou apatia;
    •Cansaço excessivo, mesmo após períodos adequados de descanso;
    •Dificuldade de concentração, memória ou tomada de decisões;
    •Distúrbios do sono, como insônia ou sono excessivo;
    •Perda de interesse por atividades antes consideradas prazerosas;
    •Isolamento social e redução do contato afetivo;
    •Sintomas físicos sem causa orgânica aparente, como dores de cabeça, tensão muscular e alterações gastrointestinais.
    Reconhecer esses sinais precocemente é um passo fundamental para evitar a progressão do sofrimento psíquico e o desenvolvimento de transtornos mais graves.
    Por que devemos cuidar da saúde mental?
    A saúde mental não se restringe à ausência de transtornos psicológicos; ela está diretamente relacionada à capacidade de lidar com desafios, adaptar-se às mudanças e manter relações equilibradas. Quando a saúde mental está comprometida, todo o funcionamento do indivíduo é afetado.
    No contexto profissional, o adoecimento mental pode reduzir a produtividade, aumentar o absenteísmo e prejudicar a tomada de decisões. Nos relacionamentos amorosos e familiares, pode gerar conflitos, dificuldades de comunicação, dependência emocional ou afastamento afetivo. Já nas relações de amizade, o impacto costuma aparecer na forma de isolamento, intolerância ou dificuldade de manter vínculos.
    Cuidar da saúde mental, portanto, é investir em uma vida mais funcional, empática e equilibrada, tanto no âmbito individual quanto coletivo.
    Atividade física como aliada da saúde mental
    Diversos estudos científicos demonstram que a prática regular de atividade física é uma das estratégias mais eficazes na promoção da saúde mental. O exercício físico contribui para a liberação de neurotransmissores como endorfina, serotonina e dopamina, substâncias associadas à sensação de bem-estar, prazer e regulação do humor.
    Além dos benefícios neurobiológicos, a atividade física também promove:
    •Redução dos níveis de estresse e ansiedade;
    •Melhora da qualidade do sono;
    •Aumento da autoestima e da percepção de autoeficácia;
    •Organização da rotina e estímulo à disciplina;
    •Maior integração social, especialmente em atividades coletivas.
    Importante destacar que não é necessário um desempenho atlético elevado. Caminhadas, alongamentos, dança, musculação ou qualquer atividade que respeite as condições físicas do indivíduo já oferecem benefícios significativos.
    A importância de procurar um especialista
    Ao identificar os primeiros sinais de sofrimento emocional, é fundamental buscar a avaliação de um profissional especializado, como psicólogos, psiquiatras ou outros profissionais da saúde mental. A intervenção precoce possibilita diagnósticos mais precisos, tratamentos menos invasivos e melhores prognósticos.
    O acompanhamento profissional não deve ser visto como sinal de fraqueza, mas como uma atitude de autocuidado, responsabilidade e prevenção. Assim como procuramos um médico diante de sintomas físicos persistentes, o mesmo deve ocorrer quando o sofrimento e emocional.
    A saúde mental é a base que sustenta nossos relacionamentos, escolhas, desempenho e qualidade de vida. Ignorar seus sinais compromete não apenas o indivíduo, mas também suas relações profissionais, amorosas e sociais. Investir em autocuidado, manter uma rotina de atividades físicas e buscar ajuda especializada quando necessário são atitudes essenciais para uma vida mais saudável e equilibrada.
    Cuidar da saúde mental é, acima de tudo, cuidar de si e da forma como nos conectamos com o mundo.]
    Dra Pollyana Vieira
    Neurocientista Especialista em Comportamento e Desenvolvimento Humano
    SBNeC n° 16557/21
    Psicanalista
    Analista do Comportamento – ABA

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