Segundo o anedotário popular, passadas as festas de fim de ano o Brasil só volta a funcionar depois do Carnaval. Até os festejos de Momo, férias, preguiça e praias que te quero. As cinzas da quarta-feira, espera-se sejam o despertar da consciência aos desafios que aguardam este país em 2026. Desafios de âmbito interno e externo. Não são poucos.
Externamente, nossa Diplomacia deve permanecer atenta aos movimentos de Donald Trump. Sua ambição e imprevisibilidade parecem não encontrar nem respeitar limites. O que está ocorrendo com a Venezuela deve servir de alerta.
Conseguimos amenizar em parte os efeitos do tarifaço em 2025, mas outras surpresas não podem ser descartadas.
Além desses riscos, é bom lembrar 2026 como ano eleitoral. Eleições num ambiente político polarizado, sem uma alternativa viável ao confronto entre Lulismo e Bolsonarismo.
Não estamos livres de Trump tentar exercer sua influência nas eleições. Ele sabe jogar muito bem tanto no campo político como no econômico, e poderá usar suas cartas para atingir seus objetivos
Não menos sérios são os desafios internos. Não nos deixemos iludir pela bonança de 2025, com inflação sob controle e nível de desemprego baixo. A situação das contas públicas requer cuidados. Analistas econômicos alertam sobre o comprometimento de quase 90% do orçamento federal com despesas obrigatórias. Aí se incluem pagamento do funcionalismo, Previdência e benefícios sociais. Sobra pouco e cada vez menos para investimentos em infraestrutura, saneamento e crescimento sustentável.
A solução seria o governo aumentar substancialmente a arrecadação, mas isso depende de um robusto crescimento da economia, o que não vem ocorrendo.
Então, a saída é um severo ajuste fiscal para fechar a conta. Via de regra ajustes fiscais não são bem digeridos politicamente em ano eleitoral. Quem teria coragem e assumiria o risco político de propor esse ajuste?

Faz lembrar a fábula de La Fontaine: “Quem vai colocar o guizo no pescoço do gato?”.
Por Gilberto Silos














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