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    O Tempo Muda, a Mente Decide: Quebrando Prisões Internas

    A passagem de um ano para o outro sempre carregou um significado que vai além do calendário. Ela simboliza encerramentos, recomeços e, principalmente, a possibilidade de renovação interna. Nesse intervalo simbólico entre o que termina e o que começa, muitas pessoas se veem diante de uma oportunidade rara: olhar para dentro e reconhecer as prisões invisíveis que habitam a própria mente.
    Esse período favorece reflexões profundas porque rompe a sensação de continuidade automática. Ele marca um fim — e todo fim carrega a possibilidade real de um recomeço. Ao olhar para o ano que se encerra, muitas pessoas percebem padrões repetidos, ciclos emocionais não resolvidos e escolhas guiadas mais pelo medo do que pelo desejo. Esse reconhecimento é o primeiro passo para a libertação.
    As prisões da mente são construídas, em grande parte, por crenças limitantes — ideias formadas ao longo da vida que passam a definir quem acreditamos ser e até onde achamos que podemos ir. Frases como “eu não consigo”, “não mereço”, “isso não é para mim” ou “já passou do meu tempo” atuam como muros silenciosos. Elas não impedem fisicamente, mas restringem sonhos, escolhas e movimentos internos.


    Libertar-se das prisões da mente não significa ignorar a dor, negar o passado ou adotar um otimismo vazio. Significa assumir responsabilidade sobre a própria narrativa interna. Questionar crenças, ressignificar experiências e compreender que aquilo que um dia foi uma proteção pode hoje ser um limite. A mente que aprendeu a se defender também pode aprender a se expandir.
    Quando um ano se encerra, o tempo parece desacelerar para que a reflexão aconteça. É nesse momento que padrões se tornam visíveis: metas adiadas, medos repetidos, decisões evitadas. A virada do ano funciona como um espelho simbólico, revelando aquilo que precisa ser deixado para trás — não apenas situações externas, mas pensamentos que já não servem mais.

    A renovação proposta por esse momento não está apenas em promessas ou resoluções, mas na coragem de questionar crenças antigas. O que foi aprendido em um contexto de dor, rejeição ou sobrevivência pode não fazer sentido no presente. Libertar-se das prisões da mente é reconhecer que nem toda crença é uma verdade, e que muitas delas são apenas histórias que continuamos contando por hábito ou medo.

    Ao atravessar de um ano para o outro, abre-se um espaço simbólico de escolha. Permanecer preso ao que limita ou permitir-se construir uma nova relação com a própria mente. A libertação começa quando se entende que mudar pensamentos não apaga o passado, mas transforma o futuro.
    Que o novo ano não seja apenas uma troca de datas, mas uma travessia consciente — da prisão para a possibilidade, do medo para a escolha, da repetição para a liberdade interior.

    Dra Pollyana Vieira
    Neurocientista Especialista em Comportamento e Desenvolvimento Humano
    SBNeC n° 16557/21
    Psicanalista
    Analista do Comportamento – ABA

     

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