Em meu entender estamos sendo dilapidados em nossa história. Esperamos pela volta da ferrovia como era em tempos passados e deixamos o tempo cuidar de destruir o patrimônio histórico, sem nenhuma manifestação da cidade.
Havia os bondinhos urbanos, que os jordanenses chamavam de subúrbio, e os bondes para Pindamonhangaba.
Paulatinamente foram sendo modificados.
As diretorias da estrada de ferro, geralmente formada por pessoas de fora da região, tomavam as “decisões técnicas mais adequadas”. E o jordanense nem percebia. Por exemplo, o subúrbio era da estação Emilio Ribas, de Vila Capivari, até “São Christóvão”, com horários rigidamente cumpridos, atendendo aos moradores da cidade. O percurso foi alterado para até a inexistente estação do portal, por questões de segurança. E nós não falamos nada. Os subúrbios deixaram de cobrar viagens entre as paradas, enquanto atendiam aos munícipes, passando a ser somente veículo turístico, e ninguém se manifestou mesmo sendo prejudicado.Retiraram a “Maria Fumaça”, que não precisa da energia de cabos, uma atração turística, e nem deram explicações para a demora em sua reforma.
Agora estão preparando um edital para a concessão da ferrovia ã iniciativa privada, e os jordanenses nem se dão conta o que estão fazendo com o patrimônio da cidade.

O Parque da Capivari, que se tornou “a maior atração para turistas” vai absorver a estação Emilio Ribas e todos os seus equipamentos. Serão incorporados os prédios das estações, sendo que a mais antiga já perdeu o nome do fundador da EFCJ, Dr. Emilio Ribas; a casa de funcionários, a garagem e oficina dos trens, bem como a rotunda, com novos projetos para utilização, descaracterizando completamente suas funções.
Isto é apagar a história definitivamente, modificando suas iniciais destinações.
E o jordanense nem sabe disto.
A cidade espera o retorno dos bondinhos e não se preocupa com as propostas de “modernização” dos mesmos que podem ser totalmente descaracterizados, colocando veículos diferenciados das tradições da centenária ferrovia.
Se espera o retorno do trem de Serra, entre as cidades, um equipamento unidirecional, isto é, se movimenta somente em uma direção, precisando de uma rotunda para ser virado, mas né percebe que a mesma será incorporada dentro do Parque e mudará de funções. O trem de Pindamonhangaba, se voltar, não entrara mais dentro das futuras cercas do Parque.
E a cidade espera. Espera. Espera paciente e inocentemente, pela volta dos trens.
Em outros lugares do mundo turístico, bondinhos similares são atrações para os visitantes. Aqui serão taxados como equipamentos superados, velhos e inseguros.
E quem nos dirigirá pelo futuro são estrangeiros preocupados somente com o sucesso de seus lucros, sem respeitar o passado.
E a cidade espera.
Paulo de Tarso Moreira Marques é Relações Públicas e Delegado Regional de Turísmo de SP














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