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    Suplente de Boulos, Ricardo Galvão ainda avalia se assumirá o mandato

    Um dos cientistas mais renomados do país, Galvão preside atualmente o CNPq. Ele foi demitido do Inpe por Bolsonaro após contestar negacionismo climático do governo.

    O físico Ricardo Galvão (Rede-SP), atual presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), avalia se deixará o cargo para assumir uma cadeira na Câmara dos Deputados, aberta com a ida de Guilherme Boulos (Psol-SP) para o governo do presidente Lula. Boulos foi nomeado ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, e Galvão é o primeiro suplente da coligação Psol/Rede eleita em 2022.

    Em entrevista ao g1, o pesquisador afirmou que ainda não foi comunicado oficialmente sobre a possibilidade de assumir o mandato e que há dúvidas políticas a serem resolvidas.

    “Não está definido ainda. Realmente sou o primeiro suplente. O Boulos assumindo, o cargo vem pra mim. Agora estamos conversando com a Rede Sustentabilidade. Fui eleito por ela. Isso para decidir se pegamos ou não a vaga”, declarou Galvão.

    Ele ponderou que a eventual volta da ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara (Psol), à Câmara também pode alterar a ordem de suplência.

    “Apareceu a possibilidade da ministra Sonia Guajajara retornar para o Congresso, e ela é do Psol. Se ela voltar, eu não assumo”, explicou.

    Cientista de renome e símbolo da defesa da ciência

    Aos 77 anos, Ricardo Galvão é um dos nomes mais respeitados da ciência brasileira. Doutor em Física de Plasmas pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), o pesquisador construiu carreira no Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), onde é professor aposentado. É especialista em fusão nuclear controlada e foi um dos responsáveis pela criação do primeiro reator experimental de fusão nuclear da América Latina, o tokamak.Galvão dirigiu o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) entre 2016 e 2019 e ganhou notoriedade após enfrentar o então presidente Jair Bolsonaro. O embate ocorreu quando Bolsonaro acusou o Inpe de divulgar “números mentirosos” sobre o aumento do desmatamento na Amazônia. Galvão defendeu publicamente a metodologia e os técnicos do órgão, o que resultou em sua exoneração.

    O episódio o transformou em símbolo da autonomia científica e da resistência à interferência política na produção de dados públicos. No mesmo ano, foi incluído pela revista Nature na lista dos dez cientistas mais influentes do mundo. Em 2021, recebeu o prêmio da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS) por sua atuação em defesa da liberdade e da responsabilidade científica.

    De volta ao governo com missão de reconstruir o CNPq

    Em 2023, Ricardo Galvão foi nomeado por Lula para presidir o CNPq, órgão fundamental para o fomento à pesquisa no país. Sua gestão tem sido marcada pela tentativa de recompor o orçamento da instituição e recuperar a valorização das bolsas de pesquisa, duramente afetadas durante os anos anteriores.

    À frente do conselho, ele também tem defendido a ampliação da participação feminina na ciência e o fortalecimento das universidades públicas como polos de inovação.

    Transição incerta e expectativas políticas

    Com a nomeação de Boulos para o ministério, Galvão surge como alternativa natural para ocupar sua vaga na Câmara, mas a decisão depende de articulações políticas dentro da federação Psol/Rede.

    Caso aceite o mandato, Ricardo Galvão ingressará em seu primeiro cargo eletivo. Sua presença no Legislativo é vista como uma oportunidade de reforçar o diálogo entre a política e a comunidade científica, com foco em pautas de educação, meio ambiente, inovação e ciência.

    A nomeação de Guilherme Boulos foi anunciada por Lula nas redes sociais e deve ser oficializada no Diário Oficial da União nos próximos dias. Com a definição da vaga, o Congresso poderá receber um dos cientistas mais respeitados do país – agora, também político.

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