Diz uma lenda que o conquistador espanhol Hernán Cortez chegou ao México no século XVI, com o objetivo de conquistar a terra dos astecas. Mas, deparou- se com um sério obstáculo. Seus soldados temiam enfrentar o desconhecido: a terra e seus habitantes. Para evitar que tentassem uma fuga, Cortez mandou atear fogo nos navios. Não havia como retroceder, ou venciam o inimigo e conquistavam a terra ou morreriam.
Para os estudiosos do comportamento humano, metaforicamente os navios simbolizam ou representam a zona de conforto de cada um, seu “chão”, sua proteção contra os riscos e incertezas.
A grande maioria das pessoas não abre mão de sua segurança e gosta de pisar em terra firme.
Porém, o que é segurança? Considerando o mundo contemporâneo, onde e em quais circunstâncias podemos nos sentir seguros? Qual é o grau de certeza que permeia nossas vidas, negócios e escolhas?
O contrário de tudo isso seria admitir a imutabilidade e perenidade das coisas e situações. Mais do que em qualquer época vivemos em um mundo de incertezas.

Em tempos recentes o filósofo Zygmunt Baumann declarou: “Escolhi chamar de modernidade líquida a crescente convicção de que a mudança é uma coisa permanente e a incerteza é a única certeza.”
A tendência normal das pessoas é permanecer no controle dos fatos e resistir a qualquer evento capaz de desafiar sua índole controladora. Isso é uma compulsão do medo, sobretudo de perdas e frustrações.
No fundo, manter-se na zona de conforto é uma forma de evitar conviver com crises, quando elas podem ser justamente o efeito desse comportamento.
Muitos depoimentos revelam que o momento mais dramático no meio das crises não está ligado à dramaticidade da situação, mas ao medo em relação a elas. Nessa circunstância, tomar a decisão mais arriscada pode ser a única saída. Algo parecido com queimar os navios.
Por Gilberto Silos














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