Bertolt Brecht, dramaturgo e poeta alemão, escreveu em 1937 ´´O Analfabeto Político“, um poema mais atual do que nunca: ´´O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, mão fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do trigo, da farinha do aluguel, do sapato e do remédio dependem de decisões políticas. É tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais. “
É triste constatar que esse quadro de analfabetismo político desqualifica o exercício da cidadania, sobretudo quanto ao direito de votar nas eleições.
O grande pressuposto da Democracia é o direito do cidadão escolher quem, por via do voto livre, direto e consciente, vai dirigir os destinos de seu país.
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Essa escolha não pode ser leviana, manipulada ou aleatória. Deve ser norteada pelo senso crítico do eleitor, com informações verdadeiras sobre o candidato de sua preferência. Compreende conhecer sua vida pregressa, formação e intenções. Saber se o que ele se propõe a fazer ou defender corresponde aos seus anseios. Assegurar-se de que é ´´ficha limpa“.
Sabemos o quanto a corrupção, a incompetência e os interesses escusos minaram a credibilidade da classe política. Isso alimenta o desânimo do eleitor. Mas, o nível político de uma nação só melhora pela prática consciente e honesta do direito de votar. Nunca pelo desânimo e desistência.
Infelizmente, de uns tempos para cá, alguns candidatos, na intenção de conquistar o eleitorado, apostaram na estapafúrdia estratégia de pregar a antipolítica. Arvoram-se em candidatos contra o´´sistema“ ou ´´contra tudo isso que está aí“. Contudo, não esclarecem a quem lhes dá ouvidos o que venha a ser esse ´´sistema“. Criam uma polarização que estreita a visão dos eleitores pela demonização de seus adversários. Ardilosamente ocultam, porém, que em sua trajetória na vida pública, também participaram das práticas e dos vícios que mancharam a imagem da classe política. Posam como paladinos da moralidade e a empunham como bandeira eleitoral.
Essa negação da política tem produzido inúmeros males, como a falta de debates sérios e consistentes sobre os problemas do país.
Política é arte do possível, do diálogo e da busca de consenso. Há que resgatar a boa política pelo bem da sociedade.
Por Gilberto Silos














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