Johan W. Goethe (1749 -1832), literato e filósofo alemão, foi um ardoroso defensor dos valores humanistas. Parte de sua vida transcorreu no contexto de uma Europa sacudida pelas Guerras Napoleônicas e por relevantes transformações. Para que o humanismo não se perdesse no meio daquelas mudanças, deixou o seguinte conselho:´´ Devemos ouvir pelo menos uma pequena canção todos os dias, ler um bom poema, contemplar uma pintura e, se possível, proferir algumas palavras sensatas“.
Esse conselho pode soar meio extemporâneo nos dias de hoje. Com toda essa violência, intolerância, esse desencanto com a religião e com a política, as palavras de Goethe, ainda fazem algum sentido para a maioria das pessoas? O mundo anda carente de sensibilidade e as utopias parecem ter dado lugar a distopias.

Ao longo da história o homem idealizou utopias, sempre embalado pela esperança de construir um mundo melhor. Lutou por elas, convencido de sua viabilidade por meio de processos de educação e transformação. Essa capacidade humana já se esgotou?
O paradigma hoje predominante é o pensamento utilitarista e seus correlatos, como o saber analítico, o individualismo, a competição em detrimento da cooperação e da solidariedade, a exaltação da eficiência e do desempenho. Em síntese, a promoção do ego.
O resultado é o mundo em que estamos vivendo. O homem e a vida em permanente conflito. Quem está satisfeito com ele?
Já está passando da hora de darmos uma oportunidade a nós mesmos e à vida. Oportunidade representada pela criação de um novo paradigma alicerçado no autoconhecimento, na espiritualidade, na vivência de uma ética inspirada na solidariedade.
Resgatar os valores humanistas é um desafio e tanto. Essa esperança não pode morrer.
Por Gilberto Silos














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