´´Make America great again“ (Torne a América grande novamente). Com este lema Donald Trump ganhou as eleições presidenciais nos Estados Unidos. Nada mais vigoroso para expressar o desejo de manter a hegemonia global, tão a gosto dos americanos do Norte. Hegemonia que começou logo ao término da Segunda Guerra Mundial, naquele momento dividida com o bloco comunista formado pela União Soviética. Com a autodissolução da União Soviética em 1991, Tio Sam assumiu a hegemonia unipolar, na condição de nação mais poderosa do mundo. Essa influência se fez sentir em várias áreas, como na economia, na cultura e no poder militar. A música e principalmente o cinema foram os veículos mais utilizados para essa penetração da cultura americana no mundo todo.

Foi na cidade paulista de Casa Branca, numa tarde calorenta de 1950. Eu, com nove anos, estudava no terceiro ano do Curso Primário. Na hora do recreio, abriram-se os portões e entraram dois caminhões. Os motoristas começaram a descarregar engradados contendo garrafas avermelhadas de refrigerantes. Todos os alunos em fila, tiveram a oportunidade de saborear uma bebida que até então desconheciam, chamada Coca-Cola. Ficamos apaixonados por ela. Abandonamos o Guaraná, a partir daí considerado bebida de pobre.
No mesmo ano o único cinema da cidade exibia o filme de guerra ´´Iwo Jima, o portal da glória“, com John Wayne no papel principal. A cena marcante do filme foi o hasteamento da bandeira de Tio Sam na colina pelos fuzileiros navais americanos, após vencerem os japoneses em sangrenta batalha.
Certa vez, anos depois, a professora de História falou-nos emocionada sobre o heroísmo dos soldados brasileiros na Segunda Guerra, derrotando tropas alemãs nas montanhas geladas da Itália. Ela não conseguiu nos sensibilizar. Tarde demais. Já havíamos escolhido John Wayne como nosso herói. E passamos a usar com frequência a expressão ´´OK“. Era OK prá cá, OK prá lá. E assim, nossa cultura foi invadida. Chique era beber Coca e ouvir Elvis Presley. Pixinguinha era coisa do passado. OK?
Por Gilberto Silos














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