Certa vez perguntaram ao dramaturgo Nelson Rodrigues que conselho ele daria aos jovens. ´´Envelheçam“, foi a resposta.
Pode-se até concordar com a resposta, se o sentido de ´´envelhecer“ for amadurecer psicológica e emocionalmente. Caso contrário, poderia alguém, na época, lembrar ao autor de ´´Vestido de Noiva“ o fato de estarmos no Brasil, um país onde o idoso está sujeito às limitações físicas e cognitivas próprias da idade, sem a devida proteção social, com precário atendimento à saúde, além do preconceito chamado etarismo.
Os estereótipos vigentes criam preconceitos. Para muitos, o idoso é considerado descartável e inútil quando, pela aposentadoria, deixa o mercado de trabalho. Ele é visto como um peso para a sociedade, pois não contribui mais para o crescimento do PIB, nem para a sustentabilidade da Previdência.
Nos países europeus e no Japão, os governos tiveram tempo suficiente para elaborar políticas públicas de proteção a idosos. Fizeram isso enquanto suas economias cresciam. Havia recursos de sobra para criar estruturas de atendimento aos 60+.
No Brasil acontece o oposto. Nossa população envelhece enquanto continuamos a ser um país de baixo crescimento econômico, com índices de pobreza que atingem os idosos.
Segundo estimativa do IBGE, em 2050 a população brasileira será composta de quase 30% de idosos, algo em torno de aproximadamente 60 milhões de pessoas.
Esse fenômeno se explica pela redução da mortalidade infantil, queda da taxa de natalidade, melhoria do saneamento básico, universalização da atenção básica à saúde, campanhas de vacinação, educação, e outros fatores. Hoje, a expectativa de vida do brasileiro é de 76,4 anos.
Esse envelhecimento demográfico exigirá políticas públicas condizentes com as demandas dessa camada da população. Haverá muito a melhorar e modernizar nas áreas de assistência médica e psicossocial; adequação do espaço urbano e transporte coletivo; esportes, lazer e cultura. Esse aumento da população idosa implicará em redução da força de trabalho com impacto nos gastos previdenciários e de saúde.
É um desafio e tanto.
Por Gilberto Silos














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