Dando uma espiada no mapa-múndi, vamos encontrar entre o Canadá e o continente europeu uma imensa ilha, a maior do mundo. É a Groenlândia, com uma área de 2.l66.000 quilômetros quadrados e pouco menos de 60 mil habitantes. Coberta de gelo, é um território dinamarquês autônomo.

Apesar de sua dimensão territorial, pouco se falava sobre a Groenlândia. Nos últimos meses, porém, ele tem aparecido na mídia mundial com certa frequência, porque se tornou objeto da cobiça de Donald Trump.
O presidente dos Estados Unidos, sem qualquer pudor, declarou várias vezes sua intenção de anexá-la e torná-la domínio americano. Mas, qual é a sua importância econômica ou militarmente estratégica para despertar o ´´olho grande“ de Trump?
É que sobre aquela camada de gelo há grandes depósitos de rubi, urânio, níquel, alumínio, platina, tungstênio, titânio e cobre. Nada desprezível.
E tem mais: é abundante em metais de terras raras, cujo acesso se tornará cada vez viável à medida em que as mudanças climáticas provocarem o derretimento da camada de gelo.
Metais de terras raras são minerais, como o neodímio, túlio, cério e ítrio. Servem para a fabricação de turbinas, baterias de carros elétricos, cabos de fibra ótica, sensores, painéis solares, sistemas de mísseis e radares.
É um recurso estratégico de que a Ucrânia também dispõe. Não por acaso ou mero capricho, Trump faz chantagem com esse país, condicionando o apoio na guerra contra a Rússia em troca do direito de explorar esses metais em terras raras.
O que talvez pouca gente saiba é que o Brasil detém a terceira maior reserva de metais de terras raras do mundo. No entanto, ainda importa uma parte substancial dos metais que consome.
Esse tipo de mineração ainda requer tecnologia apropriada, pesquisas de viabilidade e investimentos. Antes do Brasil se tornar um polo de produção e refino desses minerais, há muitos obstáculos a transpor. E esse esforço deve vir acompanhado de um conjunto de políticas integradas, o que atualmente não existe.
Se não explorarmos e impusermos nossa soberania sobre essas terras raras, poderemos correr riscos num futuro próximo ou remoto. É bom ficar de olho no olho grande de Trump.
Por Gilberto Silos














Deixe um comentário